Artigos Históricos

Embraer ERJ145 no Brasil – Rio Sul e Passaredo

Embarque conosco na história do Embraer ERJ145 nas companhias aéreas brasileiras. Texto por Alexandre Alves.

O Brasil faz parte de um seleto grupo de países que possuem fabricantes de aeronaves com destaque mundial, se os americanos tem a Boeing e os franceses a Airbus, nós temos a Embraer e esta desde o EMB120 Brasília tem acertado a mão não apenas na eficiência operacional de seus produtos, mas no belo design de suas aeronaves também.

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Como sabemos a Embraer nasceu lá em 1969 através do projeto do EMB110 Bandeirante, um jipe alado que pavimentou o caminho para seus irmãos, na década de 80 a empresa sediada em São José dos Campos investiu pesado no EMB120 Brasília, um marco em sua geração e deste surgiu o projeto de um jato regional de 50 lugares, denominado então ERJ145, ERJ de Embraer Regional Jet. Resultado? Sucesso mundial, aeronave base de uma família de aplicação comercial, militar e executiva. E o ERJ145 teve uma passagem significativa pela aviação comercial Brasileira que é o foco deste artigo.

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RIO-SUL

A RIO-SUL, então uma regional destacada no Brasil, subsidiária da VARIG, era um cliente antigo da Embraer, utilizou o EMB110 Bandeirante, introduziu com pioneirismo no país o EMB120 Brasília e naturalmente migrou ao ERJ145. Operou o avião por 7 anos praticamente em 16 unidades (SPA até SPP). O primeiro a chegar foi o PT-SPA, o 20° ERJ145 construído, iniciando suas atividades na empresa carioca a partir de Agosto de 1997.

PTSPA

O Embraer ERJ145 da Rio Sul

O jato operou com sucesso na empresa, sob o nome “Jet Class” dando ares de produto executivo (que era o público foco da empresa) para sua aplicação em rotas como Pampulha – Santos Dumont, Campinas – Rio de Janeiro entre outras.

“Segura a Razão” – Essa frase se tornou famosa no meio aeronáutico, tudo por conta de uma quase tragédia envolvendo o jato de linhas compridas. Em 28 de Dezembro de 1998, o ERJ145 PT-SPE, serial 032, que estava na empresa a exatos 1 ano, 1 mês e 3 dias cumpria o voo SL310 e aproximou para pouso em Curitiba, PR, sob condições visuais adversas, 300 pés era o teto na ocasião e a aproximação IFR se deu normalmente, exceto pelo pouso duríssimo efetuado pela aeronave, ocasionando a divisão “ao meio” da fuselagem ao tocar a pista, sem vítimas felizmente, exceto a aeronave. Durante a investigação a “caixa preta” revelou uma redução de potência dos motores e aumento significativo da razão de descida, sendo este o fator predominante para o evento.

Fora isso o avião era um sucesso entre passageiros e tripulantes, inclusive a RIO-SUL dividia alguns aviões com sua subsidiária a Nordeste Linhas Aéreas que aplicava a aeronave em voos pelo centro-oeste, interior de Minas Gerais e Bahia. No entanto, em Setembro de 2002 a crise generalizada no Grupo VARIG levou ao colapso da empresa mãe e por consequência as 3 empresas se tornaram uma só, ocasionando cenas como avião Rio-Sul, chamando na torre como Nordeste, operando um voo da VARIG… em dado momento em 2003 todos ERJ145 estavam sob operação da Nordeste, ainda que na fuselagem estivesse escrito Rio-Sul. Até na ponte aérea Rio-São Paulo a aeronave atuou chamando como VARIG, operada pela Rio-Sul.

PTSPB

Em Julho de 2004, a aeronave completava 7 anos voando no Brasil e era operada pela Rio-Sul e Nordeste. A empresa sediada na Bahia utilizava a aeronave nos voos: Belo Horizonte – Vitória / Vitória – Belo Horizonte – Montes Claros – Salvador / Salvador – Vitória da Conquista / Salvador – Lençóis / Brasília – Araguaína – Tucuruí – Belém / Belém – Carajás – Araguaína – Belém / Belém – Santarém – Porto Trombetas, enquanto a Rio-Sul priorizava a operação nos voos de ponte aérea entre Belo Horizonte – Brasília / Campinas – Rio e voos como Araxá – Belo Horizonte / Montes Claros – Belo Horizonte / Curitiba – Campinas / Londrina – Congonhas / Maringá – Congonhas e Congonhas – Passo Fundo.

No começo de 2005 todos ERJ145 estavam desativados nas empresas que a essa altura operavam um trio de Boeing 737-500 em seus voos. Como não poderia deixar de ser, os rumores dos destinos das aeronaves eram diversos e apontavam a OceanAir (atual Avianca Brasil) como destino dos jatos, em parte pelo fato da OceanAir ter assumido diversos voos anteriormente da Rio-Sul/Nordeste e 4 EMB120 oriundos destas. No final o resumo dos jatos foram:

PT-SPA (145020) – Operou na RSL entre 08.97 até 12.03, passando a FAB2521.
PT-SPB (145023) – Operou na RSL entre 09.97 até 12.03, passando a FAB2520.
PT-SPC (145027) – Operou na RSL entre 10.97 até 12.03, passando a FAB2522.
PT-SPD (145028) – Operou na RSL entre 10.97 até 02.04, passando a FAB2523.
PT-SPE (145032) – Operou na RSL entre 11.97 até 12.98, acidentado em CWB, perda total.
PT-SPF (145034) – Operou na RSL entre 1997 e 2004, passando a FAB2524.
PT-SPG (145038) – Operou na RSL entre 1997 e 2004, passando a FAB2525.
PT-SPH (145060) – Operou na RSL entre 06.98 e 2004, atual XY-ALD na Air Mandalay.
PT-SPI (145065) – Operou na RSL entre 08.98 e 2005, atual HL8054 na Korea Express Air.
PT-SPJ (145083) – Operou na RSL entre 1998 e 2004, atual XA-OVB na AeroCalafia.
PT-SPK (145089) – Operou na RSL entre 1998 e 2004, atual XY-ALE na Air Mandalay.
PT-SPL (145090) – Operou na RSL entre 12.98 até 12.04, armazenado como N149EC nos USA.
PT-SPM (145114) – Operou na RSL entre 10.99 e 12.04, atual C9-SPM pela Vale do Rio Doce.
PT-SPN (145127) – Operou na RSL entre 10.99 e 12.04, atual PR-DPF da Polícia Federal.
PT-SPO (145137) – Operou na RSL entre 10.99 e 12.04, passando a FAB2526.
PT-SPP (145350) – Operou na RSL entre 03.01 até 2005, passando a FAB2550.

A Rio-Sul estimava receber ainda o PT-SPQ (145464) não concretizado e os aviões de número de série 145490 e 145500, no entanto jamais foram recebidos pela empresa e seguiram vida operacional nos EUA.

PASSAREDO

Em primeira pessoa vi o Cmte.Felício, CEO da Passaredo falar “sozinho” no pátio em Salvador durante um turn-around do EMB120 PP-PSB cumprindo o voo PTB1456 a seguinte frase “Esse é o avião, esse é o avião”, o avião na ocasião era um dos ERJ145, operados pela FAB (lá ele tem o nome de C99). E em 2008, o Cmte.Felício viu a sua Passaredo se tornar a segunda operadora comercial do tipo entre 2008 e 2012.

A empresa sediada em Ribeirão Preto, era uma longa operadora do EMB120 (1995-2010), e a transição para um produto maior e mais veloz era extremamente necessária, na época (2008) tínhamos duas grandes regionais: TRIP e Passaredo, ambas com turbo hélices e focadas em operar jatos regionais.

Assim como a Rio-Sul, a Passaredo experimentou uma quase tragédia ao pousar “antes da pista” em Vitória da Conquista, a aeronave envolvida tinha dois meses voando na empresa paulista e foi desmontada na “Suíça Baiana”. O avião perdeu os trens de pouso, saindo pela lateral da pista e pegando fogo, sem vítimas felizmente, exceto a aeronave.

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O Embraer ERJ145 nas cores da Passaredo

Coube a Passaredo adesivar um de seus ERJ145 em homenagem aos 60 anos da Esquadrilha da Fumaça, após ideia apresentada pelo Cmte. Thiago Sabino e aprovação da empresa. Esta aeronave realizou demonstração em Ribeirão Preto junto a Fumaça, tornando-se capa da icônica revista Flap Internacional. Mas a situação da empresa se deteriorou durante 2012 e o alto custo operacional do ERJ145 o levou mais uma vez a desaparecer do cenário nacional, sendo substituído pelo ATR72 na Passaredo. O resumo dos jatos operados pela Passaredo foram:

PR-PSF (145016) – Operou na PTB entre 04.09 e 09.12, estocado como N255EC nos EUA.
PR-PSG (145021) – Operou na PTB entre 05.09 e 09.12, estocado como N241EC nos EUA.
PR-PSH (145597) – Operou na PTB entre 08.09 e 07.12, atual ZS-BBM na Afric Aviation.
PR-PSI (145607) – Operou na PTB entre 07.09 e 09.12, atual 5H-FJF na FastJet Zimababwe.
PR-PSJ (145351) – Operou na PTB entre 06.10 e 08.10, perda total em VDC.
PR-PSK (145387) – Operou na PTB entre 04.10 e 07.12, atual N855HK na TSA.
PR-PSL (145269) – Operou na PTB entre 05.10 e 07.12, atual N834HJ na TSA.
PR-PSM (145281) – Operou na PTB entre 06.10 e 07.12, estocado como N829HK nos EUA.
PR-PSN (145407) – Operou na PTB entre 07.10 e 07.12, estocado nos EUA como N853HK.
PR-PSO (145408) – Operou na PTB entre 12.10 e 09.12, estocado nos EUA como N854HK.
PR-PSP (145441) – Operou na PTB entre 02.11 e 2012, estocado nos EUA como N856HK.
PR-PSQ (145244) – Operou na PTB entre 12.10 e 2012, atual 3C-MAC.
PR-PSR (145339) – Operou na PTB entre 02.11 e 09.12, atual ZS-DFC na Punto Azul.
PR-PST (145385) – Operou na PTB entre 04.11 e 2012, atual 5Y-CAV ALS Kenya.
PT-PSS (145336) – Operou na PTB entre 06.11 e 09.12, foi desmontado pela COMAF em RAO.

A empresa ainda pretendeu operar os aviões de número de série 145024 e 145165, que não foram recebidos. Coube a Passaredo também operar por um curto período um inédito ERJ135 no Brasil, com a matrícula PT-TJA, “emprestado” pela Embraer para cobrir a ausência do PR-PSJ acidentado.

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