Aviação Civil

Boeing e Embraer: Diversas possibilidades

Análise de mercado: Boeing e Embraer. Texto por Lucas Picardi.

Na semana passada veio a público as conversas da Boeing e da Embraer para uma possível união. Segundo notícias que rodaram pelos jornais e revistas, a empresa norte-americana estava pensando em comprar a fabricante de aeronaves brasileiras, sendo um modo de competir com o acordo feito pela canadense Bombardier e a francesa Airbus, no que tange a produção do jato regional C-series. A divulgação da existência pegou muitos de surpresa, gerando uma grande euforia no mercado financeiro.

 

⦁ Valorização das Ações da Embraer

ações embraer

Ações da Embraer durante os meses de outubro e dezembro deste ano.

O gráfico acima mostra a cotação diária das ações da EMBR3 desde o inicio de outubro deste ano. Neste período, as ações ficaram entre os patamares de R$15,33 (24/Nov) e R$ 18,11 (03/10). Até a véspera do vazamento da existência das conversas entre as empresas, a ação havia tipo o pico em R$18,93. A cotação não passava dos R$20,00 desde (29/04/2016) quando chegara a R$20,22. Contudo, no leilão seguinte à divulgação da existência das conversas, a euforia do mercado fez com que a barreira fosse quebrada, fechando no dia 21/dez em R$20,20.

Apesar de no leilão seguinte a EMBR3 tenha fechado em R$19,91, no momento em que escrevo este texto, elas já se encontram acima dos R$20 novamente. Poderia, então, a publicidade das negociações ter ajudado, num primeiro momento, a quebra de uma barreira de preço das ações da gigante brasileira. Mas se tal efeito for condicionado ao andar das negociações, há muitas águas por vir, principalmente devido a posição do governo brasileiro, detentor das ações especiais, as chamadas golden shares.

 

⦁ O Governo Brasileiro e as Golden Shares

A Embraer foi privatizada em 1994, mantendo-se como acionista minoritário na empresa através do BNDESPAR que detém 5,37% das ações da companhia. Contudo, conforme ocorre com outras empresas que foram privatizadas, o governo manteve uma ação especial que foi chamada de Golden Share. Esses tipos de ações garantem ao governo, conforme consta no site da Embraer:

“ART. 9º – A ação ordinária de classe especial confere à União poder de veto nas seguintes matérias:
I. Mudança de denominação da Companhia ou de seu objeto social;
II. Alteração e/ou aplicação da logomarca da Companhia;
III. Criação e/ou alteração de programas militares, que envolvam ou não a República Federativa do Brasil;
IV. Capacitação de terceiros em tecnologia para programas militares;
V. Interrupção de fornecimento de peças de manutenção e reposição de aeronaves militares;
VI. Transferência do controle acionário da Companhia;
VII. Quaisquer alterações: (i) às disposições deste artigo, do art. 4, do caput do art. 10, dos arts. 11, 14 e 15, do inciso III do art.18, dos parágrafos 1º. e 2º. do art. 27, do inciso X do art. 33, do inciso XII do art. 39 ou do Capítulo VII; ou ainda (ii) de direitos atribuídos por este Estatuto Social à ação de classe especial.”

Ou seja, compete ao governo decidir se a negociação entre as fabricantes saíra do papel ou não. Conforme noticiado pelo Valor Econômico, o governo disse que não há possibilidade de passar o controle acionário, uma vez que, para o mesmo, o controle da fabricante nacional entra em critérios de segurança nacional.

 

⦁ Os efeitos de um possível acordo

Conforme noticiado por alguns portais especializados em finanças como o ADVFN, a corretora de ações do banco Bradesco recomendava, pouco antes do anuncio da conversa entre as empresas, a venda das ações da Embraer, cujo preço-alvo, segundo a corretora, era de R$14. Dentre as justificativas utilizadas pelo banco estava a parceria da Airbus com a Bombardier, que vinha apresentando risco aos negócios da Embraer.

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A Airbus adquiriu em 2017 parte do projeto C Series da Bombardier, a concorrente direta da Embraer.

Uma parceria entre Boeing e Embraer poderia trazer ganhos de eficiência, de escala e de escopo para ambas as empresas, uma vez que os produtos destas são complementares, e não substitutos. Este ganho de eficiência poderia resultar num aumento de valor das empresas, que resultaria no aumento dos preços de suas ações (conforme foi visto quando descobriu-se das conversas).

Um dos reverses do acordo seria uma maior concentração num mercado já oligopolizado. Vale a pena lembrar que o mercado de aeronaves comercais é bem concentrado em 5 empresas (Boeing e Airbus –comercais acima de 150 lugares – Bombardier e Embraer – jatos até 130 lugares e ATR – turboélices até 80 lugares). Ou seja, de 5 grandes empresas teríamos apenas 3, controlando a maior parte da produção de aeronaves comerciais.

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O Embraer E190-E2 durante sua apresentação em São José dos Campos (SP).

O futuro é incerto. Até o momento escutaram apenas rumores das conversas. Há muito que ser discutido entre as empresas e o governo. Contudo, o tempo para a Boeing e para a Embraer está custando caro, devido a parceria da Airbus com a Bombardier. A compra de Airbus A321NEO pela Delta foi apenas o inicio. Além de um acordo que agrade ambas as empresas, o acordo tem que agradar os órgãos reguladores de ambos os países além do Governo Federal do Brasil. Enquanto isso, o mercado vai analisando as empresas.

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