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Três letrinhas e uma cidade

Saiba mais sobre os códigos da IATA para os aeroportos. Texto por Alexandre Alves.

Certamente você já observou ao voar que o seu cartão de embarque costuma mencionar as cidades em uma sopa de letrinhas bem conhecida entre os frequent flyers ou pessoal que trabalha em aviação. Imagine você, chegar para um Chinês e pedir uma passagem para Petrolina ou um Japonês pedir uma passagem em uma agência Brasileira para Miyazaki, haveria certa dificuldade correto?

Mas e se chegássemos ao Chinês lá na China e pedíssemos uma passagem para PNZ e o Japonês aqui para KMI? Basta jogar as três letrinhas mágicas e tudo está resolvido! É o famoso código IATA em ação, fazendo a mágica da facilidade de comunicação independente do país da solicitação.

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Propaganda da Transbrasil trazia os códigos IATA dos principais aeroportos brasileiros.

Esses códigos são norteados pela resolução 763 da IATA, cuja sede em Montreal é quem define os códigos de 2 em 2 anos no IATA Airline Coding Directory. Os códigos tomam proporção tal, que muitas cidades assumem esses códigos no cotidiano, ou você nunca ouviu falar um baiano dizer que mora em SSA? Usando o SSA talvez sem sequer saber que existe IATA na história. Vale lembrar que o código IATA refere-se a um aeroporto, em cidades com mais de 1 aeroporto podemos ter o código IATA para a área metropolitana. Vamos focar no Brasil, temos CGH – Congonhas e GRU – Guarulhos em São Paulo, para agilizar pesquisas em sistemas de venda de passagens (GDS), podemos usar SAO e obter preços e opções para CGH e GRU ao mesmo tempo.

O código IATA não tem uma lógica racional como muitos pensam, eventualmente ele é explícito como FORtaleza, RECife ou remete a antiga grafia de cidades como THErezina (hoje Teresina) ou MAnaOs (hoje Manaus). Outras composições pegam partes dos nomes como AracaJU ou somam o real nome da cidade como São Salvador da Bahia (SSA) ou MOntes Claros (MOC). Existem casos, por exemplo, de códigos IATA trocarem de mãos, pela desativação de uma cidade ou a trocado do mesmo, Vitória da Conquista na Bahia, por exemplo, já foi CQS e hoje é VDC.

Um código pode trocar de aeroporto na mesma cidade, caso de NAT, Natal que antes era o Augusto Severo e hoje é o aeroporto novo em São Gonçalo do Amarante. Ou uma divisão da cidade caso surja um aeroporto novo, Belo Horizonte sempre foi BHZ, até 1984, ao surgir Confins, este virou CNF e Pampulha assumiu a identidade de PLU. A cidade baiana de Jacobina não tem voos regulares a 30 anos, mas mantem seu código JCM.

Sem Título-1

Os códigos IATA estão em todos os lugares na sua viagem: da reserva do bilhete no site da companhia aérea até o seu cartão de embarque.

Para o pessoal técnico rola muita confusão e você que é entusiasta e frequenta fóruns pode ver discrepâncias como alguém falar que está indo a FLZ – Fortaleza (ué não é FOR?), isso se deve ao fato de cada auxílio à navegação ter a sua identificação então os aviadores acabam usando o código de VOR para se referir a cidades como FLZ (Fortaleza), SVD (Salvador), CGO (Congonhas), TRS (Teresina), inclusive pode haver um choque de referência aí, ARU pelo código IATA é Araçatuba em SP, mas para os aviadores, ARU é o VOR de Aracajú. Felizmente o pessoal que etiqueta bagagens não faz essa confusão, imagine quantos extravios a mais teríamos?

Em raras situações podemos ver um avião cujo prefixo tem a mesma combinação de letras que um código IATA, como cansei de ver o Boeing 737-500 da Rio-Sul matriculado PT-SSA, operando onde? Em SSA – Salvador! Ou então aquele avião que tem a combinação e nunca pousará no seu homônimo, caso do Boeing 767-300 da LATAM PT-MOC, você não o verá em MOC – Montes Claros.

IATA codes

Algumas empresas pequenas, por necessidade inventam seus códigos IATA apenas para operar seus sistemas de reservas, caso da TWOflex operando o voeminasgerais.com.br, site de vendas do projeto PIRMA de MG, onde as cidades sem código eles usam as 3 últimas letras do código ICAO (código este que será fruto de um outro artigo), ou a agência que comercializa voos em Morro de São Paulo, Bahia, que usa MSP para Morro de São Paulo, sendo que MSP é Minneapolis, EUA.

Alguns códigos IATA Brasileiros para conhecimento:

SAO – Área metropolitana de São Paulo
RIO – Área metropolitana de Rio de Janeiro
BHZ – Área metropolitana de Belo Horizonte

BSB – Aeroporto de Brasília, DF
IOS – Aeroporto de Ilhéus, BA (remete a grafia antiga Ilheos)
AJU – Aeroporto de Aracajú, SE
FEN – Aeroporto de Fernando de Noronha, PE
PAV – Aeroporto de Paulo Afonso, BA
TMT – Aeroporto de Porto Trombetas, PA
MAO – Aeroporto de Manaus, AM
PVH – Aeroporto de Porto Velho, RO
BPS – Aeroporto de Porto Seguro, BA
CCM – Aeroporto de Cricíuma, SC
POJ – Aeroporto de Patos de Minas, MG
SDU – Aeroporto de Santos Dumont, RJ
MEA – Aeroporto de Macaé, RJ
CGB – Aeroporto de Cuiabá, MT
CGR – Aeroporto de Campo Grande, MS

Não tem erro meu caro leitor, usando o código IATA em qualquer sistema de busca de passagens, você chegará ao seu destino, a sua mala também, a sua carga despachada. Mas lembre-se código IATA é algo exclusivo da aviação, não conte com a hipótese de uma Gontijo ou Águia Branca em mandar sua carga ou você para um destino de código IATA, você pode ir parar bem longe de onde pretendia, pois o transporte rodoviário utiliza outra lógica.

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