Aviação Civil

Latin American Wings, do Chile, paralisa operações

Segundo comunicado, a paralisação é temporária; empresa vinha sofrendo com a forte concorrência e já vinha reduzindo suas operações há alguns meses.

Foi anunciado ontem que a companhia aérea chilena Latin American Wings, mais conhecida como LAW, paralisou temporariamente suas operações. A informação foi dada pelo canal 13 da televisão chilena e rapidamente se espalhou.

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737-300 da LAW CC-AVL em Santiago do Chile. Foto: Sebastián Polito/Vuelos y Spotters

O gerente-geral da empresa, Andrés Dulcinelli, manifestou-se pelo seguinte comunicado oficial:

“Santiago, 9 de março de 2018. Latin American Wings deseja informar o seguinte:

A guerra de preços, imposta pelas grandes empresas da indústria aeronáutica, causou que no interior da companhia haja um processo de reorganização que considera o ingresso de novos capitais. Isso nos permitirá continuar operando com um novo modelo de negócios. Para implementá-lo, se faz necessário suspender temporariamente as operações regulares e a venda de passagens.

Esta suspensão temporária considera o cancelamento dos voos que tínhamos programados. Reconhecemos que esta medida terá efeitos sobre alguns de nossos passageiros e lamentamos profundamente os inconvenientes que se gerarão.

Confiamos que essa reorganização nos permitirá reverter a situação em que se encontra a empresa e iniciaremos uma nova etapa que considera a implementação de um modelo de negócios ajustado aos requerimentos do mercado.”

De fato, a concorrência no Chile aumentou muito desde a chegada da LAW ao mercado. Ela surgiu como uma operadora de nicho no início de 2016, prometendo voos inclusive ao Brasil – ligando Montevidéu a Porto Alegre – e fretamentos. Ela inclusive chegou a realizar um fretamento a Porto Alegre em fevereiro do mesmo ano, transportando a equipe para o show dos Rolling Stones, mas nunca passou disso. No mesmo ano, passou a voar de Santiago a Lima, no Peru, e de lá a alguns destinos no Caribe, como La Romana, Punta Cana e mesmo Porto Príncipe, no Haiti.

Em 2017, aí sim, passou a operar no mercado doméstico, inaugurando uma linha entre Santiago a Concepción em março; em maio, passou a voar também a Puerto Montt. Em junho iniciou suas operações para Mendoza, na Argentina e em novembro, inaugurou seus voos a Antofagasta. Chegou ao fim do ano com cinco 737-300.

Se externamente a trajetória parecia de ascendência, internamente as coisas não pareciam ir nada bem. Em julho chegou ao mercado chileno a JetSmart, uma ultra low-cost ao melhor modelo europeu, com tarifas baixíssimas e investimento bilionário. Em cinco meses de operações ela já havia conquistado mais de 7,5% do mercado doméstico, tendo transportado mais de 300 mil pessoas, e causado indiretamente a concorrência a baixar os preços em torno de 35%. Se para as grandes do Chile (LATAM e Sky), consolidadas há um bom tempo, ela dava uma grande dor de cabeça, imagine para uma iniciante como a LAW. A sua ocupação doméstica em 2017 fechou nos 46,8%.

Assim, em 8 de janeiro desse ano a LAW anunciou que paralisaria todas as suas operações domésticas, concentrando-se nos voos internacionais. Em verdade, até esses já estavam afetados: no mesmo mês reduziu seus voos a Mendoza. Nessa rota, nunca chegou a transportar mais de cem passageiros. Suas dívidas já eram altas e a situação rapidamente se agravava: a Swissport, operadora de serviços de solo, chegou a confiscar um avião em La Romana por não-pagamento de serviços. As reclamações se multiplicavam e a situação financeira precária da companhia passou a ser noticiada pela imprensa.

Em março a DGAC, agência governamental peruana correspondente à nossa ANAC, decidiu proibir a companhia de operar em seu país a partir de 15 de março. Antes disso, contudo, a LAW já havia deixado de vender passagens a Lima. A proibição acabou nem necessitando fazendo efeito, já que ontem a companhia acabou paralisando provisoriamente todas as suas operações.

Em entrevista ao site chileno La Tercera no mês passado, Andrés Dulcinelli foi perguntado se confiava na viabilidade da empresa. Afirmou:

“Claro, é no que mais confiamos. Nossos colaboradores estão com todas as pilhas carregadas para trabalhar para que isto seja assim.”

Caso a companhia retome suas operações, publicaremos aqui no Ponte Aérea.

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