Aviação Civil

O Caravan de 12 – A solução da aviação regional Brasileira

Canutama é uma cidade amazonense onde vivem aproximadamente 15.000 pessoas e movimenta um PIB per capita de 5.500 reais, distante 620km da capital de seu estado. Irecê é uma cidade baiana onde vivem 74.000 pessoas com PIB per capita de 11.500 reais, distante 478km de sua capital. Cachoeiro do Itapemirim é uma cidade capixaba onde vivem 211.000 pessoas que movimentam um PIB per capita de 11.300 reais a 139km da capital do estado. Sabe o que as três não tem? Transporte Aéreo! E poderíamos citar mais 97 cidades aqui para fazer um grupo de 100 cidades que poderiam ter voos regulares regionais.

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Ao longo do passar dos anos, a aviação regional Brasileira, outrora baseada no Embraer 110 Bandeirante de 14-18 assentos, em busca de um custo por assento cada vez menor, hoje é baseada no ATR72 de 70 assentos. Mas como abrir mercados ofertando já 70 assentos? Nem toda cidade tem uma demanda reprimida para tal, é necessário desbravar e existe a ferramenta perfeita para isso, é o Cessna Grand Caravan. Este excelente avião foi introduzido no Brasil no começo dos anos 90 pela Brasil Central, então subsidiária da TAM e na ocasião operava com 12 passageiros conduzidos por 2 tripulantes. No entanto no começo da década passada, o avião foi rebaixado a 9 passageiros e seu CASK disparou, inviabilizando-o economicamente e reduzindo em número considerável a atuação no interior do país.

Em certo cenário, simulando a estrutura de uma táxi aéreo dedicada exclusivamente a L.A.S – Linha Aérea Sistemática, um Caravan com 12 paxs, tem CASK 0,50 centavos de real inferior ao Caravan com 9 paxs. Como CASK é medido em kilometro voado, em uma etapa de 300km estamos falando em 150 reais a menos no custo da passagem aérea. A RIMA – Rio Madeira AeroTaxi, conduzida pelo Comandante Gilberto Scheffer é uma das operadores com demanda reprimida em sua região, poderia servir Canutama, AM, por exemplo, e certamente expandiria verticalmente seu mapa de rotas hoje, caso o avião migrasse para 12 assentos, como é em diversos países ao redor do globo. O Comandante Scheffer afirma que o principal beneficiado com o retorno da configuração 12 paxs do Caravan é o consumidor final das pequenas cidades onde existe uma demanda latente por voos regionais, afinal esta configuração reduzirá os custos operacionais da aeronave e por consequência das passagens aéreas. “Estamos discutindo a anos junto à ANAC através do SNETA – Sindicato Nacional das Empresas de Táxi Aéreo, da qual sou diretor-secretário e acho que está bem encaminhado para a ANAC conceder a aprovação final, uma vez que percebe que é uma questão vital para ampliar a capilaridade da malha aérea regional nacional” comenta Scheffer.

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A visão do CEO da RIMA é bem simples, com uma capilaridade maior da malha regional, as grandes empresas podem realizar acordos com essas empresas que operam L.A.S – Linha Aérea Sistemática, proporcionando um passageiro a voar, por exemplo, Belo Horizonte – Cacoal, o trecho entre capitais é voado em uma grande empresa de abrangência nacional e o trecho estadual, no caso Porto Velho até Cacoal seria voado pela RIMA em seus Grand Caravans. Esta visão é a realidade há décadas nos Estados Unidos, onde as commuters atendem centenas de destinos com milhares de operações semanais via code-share entre as chamadas majors e estas pequenas empresas atuando sob o FAA 135.

Minas Gerais, hoje servida em 17 destinos pelo PIRMA, operado pela TWOflex, sentiria os benefícios do Caravan “de 12”. Vale lembrar que a TWOflex tem o DNA da Brasil Central através de um de seus sócios, o Luiz Eduardo Falco, responsável pelo planejamento desta durante os anos 90. A cuiabana ASTA teria custos inferiores e poderia servir a mais destinos, tudo em aviação é custo operacional e este é dividido pelo número de assentos a bordo, impactando diretamente no que interessa ao consumidor e ao mercado: tarifa.

Sem muita “viagem na maionese”, eu, autor do artigo, afirmo que na Bahia um Caravan com 12 viabilizaria serviços em 7 cidades sem pensar muito! Pensando muito podemos duplicar este número. No Paraguai, temos a Sol del Paraguay, operando um único Caravan de 12 assentos, o resultado? A empresa se aproxima do passageiro número 15.000! Lembrando, que falamos de uma empresa regional que atua em 3 destinos com 1 avião apenas! É uma condição sine qua non, que a ANAC devolva ao Grand Caravan os 12 assentos, tornando o avião mais competitivo e, sobretudo proporcionando a abertura de novas rotas, novo caminhos de integração entre pequenas cidades ou cidades que necessitam “reacostumar” ao transporte aéreo e suas capitais. “A volta do Caravan a configuração de 12 paxs é primordial para a aviação comercial Brasileira, proporcionando a abertura de novas rotas” finaliza Gilberto Scheffer da RIMA.

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Categorias:Aviação Civil, Matérias Especiais

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1 resposta »

  1. Impossível intender porque a justificativa da ANAC, para operação no brasil para o grand Caravans com apenas 09 assentos, visto que em vários países opera com 12 assentos sem problemas.

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