Aviação Civil

Entrevista exclusiva com o presidente da GOL, Paulo Kakinoff

Entrevistamos o Paulo Kakinoff, presidente da GOL Linhas Aéreas. Confira as perguntas e respostas sobre os planos da companhia para o futuro.

Ponte Aérea – O ano de 2018 marcará os 6 primeiros anos de sua gestão na GOL. Em seu ponto de vista, qual foi a maior mudança na sua gestão na GOL?

Paulo Kakinoff – A GOL passou por uma revisão estratégica como consequência natural do processo evolutivo da empresa, atendendo às novas demandas de mercado. A GOL foi pioneira (e até hoje é a única) no mercado brasileiro ao implementar o modelo de operação com frota padronizada, que permite flexibilidade no uso das aeronaves e proporciona importante racionalização de custos, revertida em benefícios aos passageiros, na forma de tarifas menores e serviços mais atraentes aos viajantes.

Com o trabalho envolvendo o comprometimento de todas as frentes da companhia, a empresa se tornou a maior em seu ramo do Brasil, com uma participação de 36,5% no mercado. Nesse período, alcançamos quatro indicadores de liderança: em pontualidade na partida dos voos, em número de passageiros transportados que depois se converteu na liderança de participação de mercado – medida pela multiplicação do número de passageiros transportados pela distância voada — e em número de pessoas que viajam a negócios.

PA – Ao assumir a presidência da GOL, você sempre teve interesse em transformá-la de Low Cost/Low Fare para uma empresa mais “Premium”?

Kakinoff – A GOL tem no alicerce a cultura de baixo custo operacional, que, desde a fundação, converte parte desses ganhos em benefícios tangíveis aos nossos passageiros. Junto a isso, investimos em melhorias em atendimento, produtos e serviços visando dar mais vida ao tempo dos Clientes e apresentamos a ‘Nova GOL’. O mercado e, também, a GOL, passaram por importantes transformações nos últimos anos.

Percebemos a importância de oferecer melhores serviços aos nossos Clientes, valorizando cada vez mais o tempo dele e a individualização de suas necessidades a bordo. Nos adaptamos para atender as demandas desse público, com salas VIP, internet a bordo, poltronas em couro e com maior distância entre elas, conectividade e entretenimento, oferecendo a mais completa plataforma com internet, filmes e TV ao vivo grátis, o melhor programa de fidelidade do mercado (Smiles), ampla variedade no cardápio de bordo, inovação e tecnologia, com o Selfie Check-in. A empresa vem aprimorando a experiência de viagem dos passageiros, ao mesmo tempo em que oferece as melhores tarifas do mercado.

Mais do que uma empresa de baixo custo, investimos para sermos a Primeira para todos, e consequentemente, reconhecidos por isso, com um serviço de qualidade. Somos a única companhia aérea com modelo de negócio de baixo custo no Brasil e mantemos, pelo 17º ano consecutivo, essa posição, decorrente de uma frota única e padronizada, o que reverte em menores custos com tripulação, gestão inteligente e manutenção eficiente aliada a operações produtivas, com reduzida exposição a despesas fixas.

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Paulo Kakinoff, presidente da GOL Linhas Aéreas.

PA – O que ser um líder? E como ser um líder transformando uma companhia aérea em líder de mercado sabendo das dificuldades do setor?

Kakinoff – Liderar é dar significado a uma causa. Creio que o processo de engajamento das pessoas pode ser muito mais pragmático. Você engaja o seu time na causa de uma companhia que existe para dar retorno aos seus acionistas e orgulho para os seus Clientes e colaboradores. É uma grande satisfação para mim, encontrar um Cliente na rua que faz uma menção espontânea de satisfação à empresa. Isso é uma causa que nos move. Uma empresa que a gente tem orgulho de indicar para um amigo num processo de seleção de vagas, com a segurança de que ele vai gostar da experiência. Trabalhar na elaboração, no desenho claro dessa causa e na comunicação dessa estratégia de atuação e mudança é o que, na minha opinião, caracteriza um líder. É fundamental promover o estímulo necessário à criação de um ambiente propício ao sucesso de seus liderados. O segredo é ter profissionais que façam o que gostam e sejam reconhecidos e recompensados por isso.

É aí que você consegue engajar o seu time – no nosso caso, 15 mil pessoas, as quais chamamos de Time de Águias.

PA – Qual foi o seu maior desafio à frente do Grupo Volkswagen? De alguma maneira, contribuiu na sua gestão na GOL e/ou durante a crise ecônimica que o país enfrentou a partir de 2016?

Kakinoff – Foram muitos os desafios nos 19 anos em que trabalhei no Grupo VW, empresa pela qual tenho enorme admiração. Alguns destes desafios guardam certa similaridade com a estratégia de reposicionamento de marca que implementamos na GOL, e que, tanto aqui quanto lá, ocorreram com êxito em pleno período de crise econômica no país.

PA – Ao mesmo tempo que a GOL lançou no mercado o “GOL+ Conforto” e que passou a ser uma das marcas registradas da companhia em conforto na distância entre assentos, o retorno para a configuração de alta densidade nos Boeing 737 poderia fazer a GOL perder essa conquista?

Kakinoff – A GOL utiliza de novas tecnologias de cabine e assentos para configurar a sua frota de novas aeronaves 737 MAX-8 e aeronaves Boeing 737-800 NG, aumentando o número de assentos em 5% dos atuais 177 para 186 assentos, sem comprometer o espaço entre as poltronas. A nova configuração manterá os espaços GOL+ Conforto em toda a frota da companhia que apresenta distância de 34 polegadas de pitch (espaço entre as poltronas de 86,3 cm) e reclinação do encosto 50% maior, além de Classe GOL Premium, em todos os voos internacionais. Vale ressaltar que a GOL é a empresa aérea com maior oferta de assentos na categoria “A” no mercado, de acordo com o padrão de classificação da Anac e deverá manter esta posição também com a nova configuração das aeronaves.

 PA – Em 2016, o senhor anunciou publicamente que a GOL seria protagonista em uma futura fusão, pois em sua visão, o mercado regional (América Latina) não suportará várias companhias aéreas atuando na mesma região. Os planos mudaram devido à crise econômica?

Kakinoff – Ao ser a Primeira para Todos, a GOL se consolida como a maior companhia aérea do Brasil, com mais de 30 milhões de Clientes transportados por ano, e a líder no segmento corporativo e de lazer. Em 17 anos de história, democratizou o transporte aéreo no país, e se tornou a maior empresa de baixo custo do setor, com a melhor tarifa da América Latina. Sobre a movimentação da indústria, particularmente acredito que existe espaço para mais consolidação na região e a GOL objetiva se posicionar como protagonista, caso esta oportunidade se apresente à empresa.

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“Reposicionamos a companhia e apresentamos ao mercado a “Nova GOL”, que traduz o que já fizemos e conduz ao caminho que continuaremos a percorrer, valorizando o tempo do Cliente ao escolher voar com a nossa companhia.”

PA – Durante a crise econômica no Brasil, a GOL reduziu sua oferta negociando o recebimento de novas aeronaves e repassando várias unidades principalmente para a Delta. Qual a estimativa de custos reduzidos nessas operações?

Kakinoff – Nesse período, a empresa antecipou-se de modo proativo para reduzir sua capacidade e sua frota de aeronaves Boeing 737, além de remodelar a malha, para sustentar a liquidez da companhia em um momento crítico de recessão e enfraquecimento da economia. A empresa devolveu 29 aeronaves em 2016, resultando em uma redução do endividamento ajustado na ordem de R$ 2,5 bilhões.

PA – Apesar do corte de oferta, a GOL continuou liderando o mercado doméstico. Inicialmente com a chegada dos Boeing 737 MAX 8, a companhia voltará ao crescimento ou manterá sua atual oferta?

Kakinoff – Vamos receber 120 aeronaves Boeing 737 MAX 8, que chegam à companhia a partir do começo do segundo semestre de 2018. Com isso, visamos melhor desempenho operacional, além de uma autonomia maior de voo de cerca de 6.500 km – possibilitando oportunidades para abertura de novos destinos. Isso permitirá que a GOL leve seu modelo de negócio para outros mercados, inclusive internacionais.  Entre os benefícios dessas novas aeronaves, haverá uma redução do consumo de combustível e emissão de gases poluentes em até 15%, fazendo com que o alcance de voo seja ampliado em até uma hora, na comparação com o Boeing 737 Next Generation, além de nove assentos adicionais, com nova tecnologia construtiva, mantendo dessa forma a liderança da GOL em conforto, no Brasil.

PA – Quando a GOL contará com a participação da empresa TwoFlex no mercado regional? Além dos canais de venda desse mercado que serão fornecidos pela GOL, as aeronaves Cessna Caravan levarão a identidade visual da GOL? 

Kakinoff – A GOL realiza análises constantes para ampliar sua atuação regional em 2018, aumentando as opções já oferecidas atualmente aos Clientes. Além disso, estuda a possibilidade de firmar parcerias com companhias aéreas de menor porte para realizar estas operações. Porém, neste momento, não há novidades sobre novos destinos regionais, tampouco qualquer decisão de parceria com outras empresas.

PA – Sobre Belo Horizonte, se a decisão judicial prevalecer que voos diretos para grandes metrópoles (mais de 600 mil habitantes) sejam realizados partindo de Confins, a GOL deixará de voar para a Pampulha ou ampliará sua malha para mercados regionais em Minas Gerais a partir do aeroporto central?

Kakinoff – Acreditamos muito no potencial de Pampulha para voos com destino a grandes cidades e foco nos Clientes que viajam a negócios. Caso esse aeroporto fique restrito a voos regionais, não vejo oportunidade da GOL ampliar suas operações por lá, pois não haverá a conectividade adequada com outros grandes centros.

Boeing 737 MAX8 GOL

“Nos próximos 3 anos, cerca de 80% das aeronaves MAX recebidas serão alocadas no plano de expansão da malha internacional.”

PA – A GOL receberá as primeiras unidades do Boeing 737 MAX 8 este ano. Há perspectiva de ampliação das encomendas para uma renovação total de frota futuramente?

Kakinoff – Nosso foco está no recebimento das 120 aeronaves, já anunciadas. Este ano, serão 6 aviões. E até 2026, de 10 a 12 aeronaves, por ano. Por ora, não temos a previsão de ampliação deste pedido.

PA – Há previsão de novas rotas internacionais utilizando o Boeing 737 MAX 8 além das anunciadas para Miami e Orlando partindo de Brasília e Fortaleza?

Kakinoff – Os voos para os EUA marcam o início desta nova fase de expansão no mercado internacional e, claro, nosso objetivo de oferecer, cada vez mais, uma malha consistente aos nossos Clientes. Nos próximos 3 anos, cerca de 80% das aeronaves MAX recebidas serão alocadas no plano de expansão da malha internacional.

PA – Qual será o maior ganho na criação do HUB Fortaleza em parceria com a Air France/KLM?

Kakinoff – Desde o último dia 03 de maio, a GOL, em parceria com a Air France-KLM, iniciou as operações do novo hub que conecta os Clientes do Norte e Nordeste do Brasil com a Europa. A GOL aumentou a oferta em Fortaleza, disponibilizou novos voos para Recife, Salvador, Belém, Manaus, Brasília e criou duas novas rotas para Natal e São Luís. Com esta implementação, a GOL ampliou sua oferta de voos na região em 35%, totalizando, a partir de agora, cerca de 50 voos diários para 11 destinos, a partir da capital cearense, incluindo Buenos Aires, na Argentina e, em novembro mais dois destinos com voos diretos para a Flórida. Além de expandir a presença em horários mais atrativos para Fortaleza, um dos principais objetivos da companhia é reduzir ao máximo o tempo de conexão dos voos das cidades do Norte e Nordeste, a fim de otimizar a viagem do Cliente do seu aeroporto até o destino final, seja para viagens de lazer como a negócios. Além disso, para todo o percurso, é necessário fazer apenas um único check-in e despacho de bagagem.

PA – Qual o prazo final para a instalação das antenas Wi-Fi e repintura total da frota?

Kakinoff – Disponível em voos nacionais e internacionais, o serviço já contempla 90 aeronaves da frota. Até o final de 2018, esperamos concluir o serviço em 100%. A repintura das aeronaves segue de acordo com o nosso planejamento de 2015 e deverá estar concluída em 2 anos.

PA – Na sua visão, como a GOL será nos próximos 6 anos? E daqui a 10 anos?

Kakinoff – Estamos otimistas em relação ao cenário atual do país, tendo em vista a combinação de taxa de juros e inflação baixas, com PIB positivo. Isso será muito importante para o reaquecimento da demanda em todos os setores, em especial no aéreo. O nosso foco continuará nos ganhos de eficiência operacional e na excelência dos nossos serviços, consolidando o nosso propósito de ser a Primeira para Todos – para os nossos Clientes, nossos colaboradores e nossos acionistas. Reposicionamos a companhia e apresentamos ao mercado a “Nova GOL”, que traduz o que já fizemos e conduz ao caminho que continuaremos a percorrer, valorizando o tempo do Cliente ao escolher voar com a nossa companhia.

A diretriz para 2018 é continuar a impulsionar a nossa vantagem em eficiência e em tecnologia, além da incorporação das novas aeronaves Boeing 737 MAX 8 – que começam a chegar em julho deste ano. Com maior autonomia, essas novas aeronaves permitirão que a GOL chegue a destinos ainda mais distantes, sem escalas, como os novos voos para os EUA, saindo de Fortaleza, a partir de novembro. Com isso, temos um foco internacional importante para explorar nos próximos anos.

 

O Ponte Aérea agradece especialmente a Assessoria de Imprensa, a Comunicação e ao Paulo Kakinoff pela entrevista exclusiva.

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