Aviação Civil

Flight Report: voando para a Amazônia peruana no B1900 da ATSA

Confira nossa experiência de voo entre Lima e Chachapoyas em um Beech 1900 da ATSA Airlines!

Após quase cinco horas de voo e mais uma visita para fotos no hangar da ATSA em Lima no dia anterior (confira as fotos clicando aqui), era chegada a hora de iniciar a série de voos domésticos no Peru, para experimentar aeronaves que são mais raras no Brasil. O primeiro bate-volta seria para Chachapoyas, na Amazônia peruana, num Beech B1900 da ATSA Airlines.

Como já dissemos no post anterior, a ATSA tem como foco principal fretamentos e operações para companhias mineradoras no país vizinho. Entretanto, no ano passado iniciou também voos regulares a determinadas cidades no Peru. Até o momento, voa de Lima a Atalaya, Chachapoyas e Tingo María; em breve deve iniciar operações regulares a Huánuco. Os voos são realizados pelos B1900 e pelos clássicos Fokker 50.

Na verdade, a ideia inicial para este voo era viajar no F-50, mas dois dias antes, quando da escolha de assentos, observei que a aeronave alocada para a minha viagem era o B1900, já que haviam apenas 19 assentos disponíveis. Coisas inevitáveis e que fazem parte da aviação como negócio, para a tristeza dos entusiastas.

[abra as fotos para vê-las em tamanho maior!]

Cheguei ao aeroporto por volta das 7 da manhã, com tempo de sobra para o embarque, já que o voo sairia apenas às 9 horas em ponto. No único balcão de check-in da ATSA não enfrentei muita fila; apresentei meu passaporte e rapidamente tinha em mãos os meus cartões de embarque da ida e da volta. Um detalhe muito interessante é que ele foi escrito à mão em um papel-cartão, portanto ótimo para guardar.

Os trâmites de segurança foram ágeis na medida do possível. É notório que o aeroporto de Lima está absolutamente saturado e defasado para um aeroporto desse porte. Ainda mais para um país turístico como o Peru; na verdade, mesmo no embarque doméstico, observei muitos passaportes de outros países e ouvi muitas línguas diferentes. O voo entre Lima e Cuzco, por exemplo, tem cerca de 50 voos diários! Portanto, ainda que algumas pesquisas indiquem o aeroporto como um dos melhores do continente, pude aferir que essa não é a realidade, ao menos na minha percepção.

DSC_0309

Enquanto não chegava o horário do meu voo, aproveitei para spottear um pouco do tráfego de Lima. Apesar do clima com muita névoa, habitual para a capital peruana nessa época, não pude desperdiçar a oportunidade. Destaque para o 737-200 da Peruvian Airlines indo a Piura. A foto ficou horrível devido aos vidros do aeroporto, mas vale o registro! No dia seguinte eu voaria na mesma rota… no breguinha! Isso você poderá ver na próxima reportagem da série.

O embarque do meu voo seria num saguão térreo anexo à sala de embarque principal, já que usaríamos o ônibus de embarque remoto. Os passageiros do AMP1875 foram chamados às 08h33; chegamos à aeronave às 08h41. Éramos nove passageiros ao todo, performando uma ocupação de 47,4%. Neste dia, voaríamos no OB-1875-P, fabricado em 1993. Antes a aeronave voou nos EUA para a Mesa Airlines e para a Arizona Express Airlines.

Antes de nossa saída, o primeiro-oficial realizou um breve speech de segurança aos passageiros, também oferecendo protetores auriculares a quem quisesse. Os motores foram acionados às 08h49 e iniciamos o táxi às 08h53, ou seja, sete minutos antes do horário previsto. Aguardamos duas decolagens e um pouso para a nossa vez de decolar. Às 09h02 alinhamos na cabeceira 15 da única pista de Lima e os versáteis turboélices PT6 foram levados à máxima potência, com um som muito interessante.

Fizemos uma curva para a direita de modo a aproar Chachapoyas. Rapidamente superamos a neblina baixa que cobre Lima durante quase todo o inverno. Nos momentos seguintes os passageiros, principalmente os que estavam no lado direito da aeronave, puderam observar lindíssimas paisagens dos Andes. Como havia acabado de amanhecer, ainda havia bastante neve no topo das montanhas. Confira as fotos:

Já que o Beech tem apenas 19 assentos, não conta com comissário de bordo. Ainda assim, a companhia serve uma caixinha de snacks. No meu assento havia um pacote de Club Social, amendoim doce e suco de maçã. Além disso, na medida do possível a aeronave era confortável, ao menos para a sua categoria, no patamar de seus concorrentes. O espaço era razoável, bem como o fato dos assentos estarem dispostos em configuração 1-1, o que de certa forma compensa o desconforto inerente a aeronaves menores.

Em termos de entretenimento, a companhia disponibilizava um jornal do dia. Para falar a verdade, acabei não prestando muita atenção nas matérias devido à paisagem, mas como era dia do jogo Brasil x Bélgica pela Copa, não pude deixar de ler o que diziam sobre nossa Seleção. Quando voltei a Lima, no mesmo dia, o jogo já estava 2 a 0 para os belgas…

Às 10h23 foi iniciada nossa descida. A paisagem já havia mudado, e agora o que mais se via era uma imensidão verde. Chachapoyas fica localizada numa região relativamente montanhosa, que junto com a floresta gera belas paisagens e belas visões durante a aproximação, que por sinal exige muita técnica. Enfrentando ventos de través, pousamos às 10h33 na cidade peruana. Como a nossa aeronave era a única em solo, livramos a pista e estacionamos muito rapidamente. Em pouco tempo, o voo já estava desembarcado.

As belas paisagens da Amazônia peruana

Aproveitei para fotografar o modesto terminal da cidade. Não que seja necessário mais do que isso. São apenas cinco voos semanais para Lima pela ATSA e cerca de dois diários pela SAETA para Tarapoto, estes subsidiados pelo governo peruano. Neste dia 30, ainda, a LC Perú deve iniciar três voos semanais para Lima.

O tempo em solo serviu também para fotografar a aeronave em ângulos incomuns com um belo plano de fundo.

Também tive tempo para conversar com o primeiro-oficial, que mostrou-se muito entusiasmado com o seu trabalho, inclusive me mostrando vídeos de algumas operações da companhia. Ficou feliz ao saber que eu tinha vindo do Brasil especialmente para experienciar as operações de transporte aéreo no Peru.

Seguem algumas fotos do voo da volta, que em termos de paisagens também não deixou a desejar!

Em resumo, esse primeiro voo foi uma experiência muito proveitosa, com paisagens inesquecíveis e um serviço bem interessante, certamente recomendável, para uma operação desse porte. Chachapoyas é um destino turístico inexplorado no Peru, tendo como principal atração o sítio arqueológico de Kuélap. A comunidade local espera que os novos serviços aéreos na região possam contribuir para que o turismo na região cresça, e é esse um dos papéis fundamentais da aviação regional mundo afora. Gostaríamos de agradecer muitíssimo à ATSA Perú pela oportunidade e pelo ótimo voo!

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