Aviação Civil

Flight Report: voando entre Lima e Piura no 737-200 da Peruvian Airlines

Voamos em uma operação doméstica no 737-200 da Peruvian Airlines.

Confira os outros episódios da série clicando nos links abaixo:

FOTOS: Visita ao hangar da ATSA em Lima, Peru
Flight Report: voando para a Amazônia peruana no B1900 da ATSA

Bem-vindo ao terceiro post da viagem do Ponte Aérea ao Peru! Dessa vez, possivelmente, a reportagem mais interessante da série: voamos no lendário Breguinha, o 737-200. Um bate-volta de um pouco mais de uma hora entre Lima e Piura.

A Peruvian Airlines é a segunda maior companhia aérea peruana em tráfego doméstico, atrás apenas da LATAM. Foi fundada em 2008 e hoje opera uma frota de mais de 10 Boeing 737, das variantes -200, -300, -400 e -500. Atualmente voa em diversas rotas domésticas e para La Paz na Bolívia. Tem também planos de voar ao Chile, Equador e Colômbia.

Esse foi um dos voos mais planejados da minha vida: a Peruvian tem apenas dois -200, então a passagem que eu comprasse seria praticamente uma aposta. Após conversas com um amigo que é spotter em Lima e bastante meditação sobre o assunto, apostei nessa passagem a Piura.

No dia anterior ao meu voo, enquanto aguardava o embarque a Chachapoyas pela ATSA (confira o Flight Report clicando aqui!), o 737-200 cumpriu o voo a Piura. Obviamente, eu só teria certeza no portão de embarque, mas já era um ótimo sinal.

Pois finalmente chegou o dia da viagem. Após uma noite de muito pouco sono – nessas horas a ansiedade vem forte -, cheguei bem cedo ao aeroporto. Na verdade ainda era noite. Desde a madrugada, entretanto, o movimento em Lima é intenso, até devido ao forte fluxo de turistas, a grande maioria de estrangeiros.

Enfim: os balcões de check-in da Peruvian estavam bem movimentados, tendo eu esperado por aproximadente 15 minutos na fila até ser atendido. De qualquer forma a funcionária me tratou com rapidez e cordialidade.

 

 

 

Meu cartão de embarque para esse voo memorável

DSC_0772

Saídas domésticas em Lima

DSC_0768

Meu voo no portão de embarque

DSC_0771

Fui o quanto antes à sala de embarque para verificar sobre a aeronave do meu voo. Com muito alívio, chegando ao portão indicado me foi informado pelos funcionários que o 737-200 cumpriria o voo. Fiquei exultante! A aeronave, segundo me disseram, estava nos hangares da Peruvian e seria trazida ao portão em alguns minutos. Em pouco tempo a tripulação chegou. Falei com o comandante, contando-lhe sobre minha viagem. Pedi uma visita à cabine para tirar umas fotos após o voo e ele aceitou.

Às 06h45 o OB-1954-P chegou ao nosso portão. Sempre fantástico ver um clássico inquestionável desses ainda operando regularmente.

DSC_0779

A aeronave, para um 737-200, era relativamente nova, tendo sido produzida para a Western Airlines, dos EUA, em dezembro de 1984. Não foi recebida, tendo sido transferida para a estatal chinesa CAAC. Passou pela China Southern e pela Xiamen Airlines, até ser repassada à Ukraine International em 1994. Em 2005 foi para a Indonésia voar pela AdamAir, indo para o Equador em 2007 voar pela Aerogal. Em 2010 parou de voar, sendo recebido pela Peruvian em 2011 e voando desde então.

Como já havia fila de passageiros formada mesmo sem o embarque autorizado, a funcionária foi bem pró-ativa, orientando aos passageiros qual parte do cartão de embarque apresentar, destacando-a uma a uma. Às 07h10, cinco minutos antes do horário previsto de saída, o embarque foi autorizado. Finalmente chegou a hora!

Vista da aeronave desde a ponte de embarque. Esse motor é inconfundível.

DSC_0795

Um close no belo Pratt & Whitney JT8D-17A.

DSC_0792

Para minha surpresa, o interior da aeronave estava surpreendentemente renovado, com bancos de couro e encostos ajustáveis de cabeça.

DSC_0798

Vista da minha janela, assento 12F. Escolhi esse lugar justamente para ficar próximo do motor. Uma pena que a janela estivesse um pouco suja.

DSC_0805

Às 07h32 as portas foram fechadas. O dia era de casa cheia: quase todos os 120 assentos do OB-1954-P estavam ocupados. Às 07h39, 24 minutos após o horário previsto, o pushback foi iniciado e o par de P&W JT8D ganhou vida.

Após um táxi relativamente demorado devido ao tráfego intenso de Lima, alinhamos na cabeceira 15. Às 07h53, o comandante aplicou potência máxima nos motores. Foi aí que eu entendi porque o “breguinha” é considerado barulhento. De fato, na decolagem o som produzido pela aeronave é muito alto. Como um entusiasta, entretanto, não posso reclamar de forma alguma.

Rapidamente superamos a camada de nuvens que encobre Lima diuturnamente nessa época do ano.

DSC_0816

Em pouco tempo, mais especificamente às 08h10, o serviço de bordo foi iniciado. Para beber, as opções de sempre: refrigerantes, sucos, água e café; os lanches vinham embalados, consistindo em um pãozinho com presunto e um bolinho de algo que me parecia milho com chocolate. Nenhuma experiência gourmet, obviamente, mas para um voo doméstico está ótimo. Para beber, escolhi um café e uma Coca-Cola.

DSC_0822

Após pedir mais uma rodada de Coca-Cola e café, fui explorar cada detalhe dessa clássica aeronave. Os assentos podiam até parecer novos, mas é impossível – felizmente – esconder completamente os sinais da idade!

Painel de luz individual

DSC_0833

O couro dos assentos é colocado em velcros sob o tecido original. Uma ideia boa, simples e principalmente barata.

DSC_0838

Orientações de emergência dispostas na galley

DSC_0840

O banheiro estava limpo.

DSC_0842

Visão traseira da cabine. Um detalhe interessante é que o 737-200 tem apenas uma galley, e não duas como estamos acostumados. Ela se localiza na parte dianteira da aeronave.

DSC_0852

O espaço para as pernas era bom – ao menos para mim, que não sou muito alto.

DSC_0864

Visão da asa em cruzeiro. Logo iniciaríamos a descida. Aproveitei o que restava do voo para “sentir” a aeronave.

DSC_0857

Às 08h46, iniciamos a descida para Piura. O tempo por lá era praticamente igual ao de Lima: céu encoberto. Às 09h01 passamos dos 10 mil pés de altitude.

Pousamos em Piura às 09h14. A abertura dos famosos reversores em concha na desaceleração provocou um som muito alto, similar ao da decolagem. Fantástico!

Rapidamente após o desembarque me dirigi à cabine para fotografá-la. Convenhamos, os painéis analógicos são os mais bonitos!

 

 

 

Conversando comigo, o comandante e o primeiro-oficial se mostraram muito orgulhosos de pilotar um 737-200. De fato é um privilégio operar essa máquina nos dias de hoje!

DSC_0872

Como eu retornaria a Piura no mesmo voo, acabei ficando dentro da aeronave. Para evitar perder tempo com check-in e demais trâmites, contei com a ajuda providencial da comissária-líder. Muito grato! No meio-tempo, conversei com ela, perguntando sobre detalhes da operação dos 737-200 e dos 737 Classic. Aproveitei também para tirar mais algumas fotos da aeronave.

DSC_0890

Algumas visões desde o topo da escada

 

 

 

O aeroporto de Piura me pareceu bem simples. Junto de nós havia um A320 da LATAM em solo, também num bate-volta para Lima.

Preparação para o voo da volta

 

 

 

Nessa última etapa tirei menos fotos: preferi aproveitar livre de câmera cada momento dessa experiência singular na vida de um entusiasta.

 

 

 

Em suma, seguramente esse segundo voo foi o melhor dos três que realizei nessa viagem. Voar no 737-200, aeronave que apenas ouvi falar por tantos anos, foi uma experiência sensacional e que levarei para o resto da minha vida! Infelizmente há poucos exemplares dessa lenda operando regularmente mundo afora, mas asseguro: quem tiver a oportunidade, aproveite. É uma experiência que vale todo o investimento! Agradeço muito à Peruvian pelo atendimento e desejo muito sucesso à empresa.

5 respostas »

  1. Bacana esse seu relato!
    Legal poder rever um clássico ainda na ativa, e como você bem o disse, muito bem cuidado.
    É de fato um -200 das últimas séries, ficou conhecido aqui na extinta VASP como “-250”, quando está operou o PP-SNK arrendado da South African Airways por um tempo, por conta do glareshield e comandos do piloto automático bem modernos, em comparação aos outros da frota, todos das décadas de 60/70.

    Curtir

      • Mais um adendo, João.
        Impressionante como a cultura do “elefante esmagando a formiga” permanece disseminada, na foto no aeroporto de Piura, aparece o Airbus da Latam, num mesmo bate-e-volta e no mesmo horário, aposto que a gigante vende o trecho no mesmo preço, ou até mesmo mais barato, para simplesmente quebrar as pernas da concorrente.

        Curtir

  2. Parabéns pela matéria. Bom ver um clássico ainda voando. Até quando esta aeronave ainda poderá operar? Haja vista que a idade de um avião é medida em ciclos.

    Curtir

  3. Cara que Review Fantástico, Vontade de pegar o Cartão e comprar a passagem agora, mas cade o limite? kkkkkkk. Fiquei em extasie aqui com tudo, quero planejar um dia pra fazer esse voo, Parabens……

    Curtir

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s