Aviação Civil

Flight Report: voando entre Lima e Huánuco no Q400 da LC Perú

Voamos em uma operação doméstica no Q400 da LC Perú.

Confira os outros posts da série clicando nos links abaixo:

FOTOS: Visita ao hangar da ATSA em Lima, Peru
Flight Report: voando para a Amazônia peruana no B1900 da ATSA
Flight Report: voando entre Lima e Piura no 737-200 da Peruvian Airlines

Bem-vindo ao quarto e último post da viagem do Ponte Aérea ao Peru! Dessa vez, um flight report em uma aeronave bem incomum no Brasil, o Bombardier DCH-8-400, mais conhecido pelo nome comercial Q400. Foi um bate-volta bem rápido a Huánuco, uma cidade no centro do Peru e a cerca de quarenta e cinco minutos de voo da capital Lima.

(clique nas fotos para ampliá-las!)

Quando da confecção da reportagem, a LC Perú era a terceira maior companhia aérea do Peru em tráfego doméstico, atrás da LATAM e da Peruvian. Com uma frota mista de 737-500 e Q400, tinha uma flexibilidade que lhe permitia ligar a capital Lima tanto a cidades grandes do país quanto a destinos regionais.

Entretanto, em novembro o governo peruano paralisou por tempo indefinido as operações da companhia, por medida de segurança. Atualmente as aeronaves da companhia aguardam no aeroporto de Lima uma definição para essa crise, que parece não ter uma perspectiva muito positiva.

Mas voltando ao report: esse voo pela LC Perú seria logo após meu bate-volta no 737-200 da Peruvian. Por isso, logo no início da manhã, antes do primeiro voo do dia, já havia feito o check-in nos balcões da companhia em Lima, para evitar transtornos decorrentes de eventuais imprevistos e/ou atrasos com o Breguinha. Um atendimento bem rápido e sem fila nenhuma; já aproveitei também para emitir o cartão de embarque do voo da volta, já planejando as fotos no solo de Huánuco.

Muito embora o voo a Piura tenha saído com atraso, chegamos de volta a Lima relativamente no horário. Quando retornei à sala de embarque, a tripulação do meu voo com a LC Perú ainda aguardava pela van até a aeronave. Aproveitei para contá-los da minha situação, pedindo para não desembarcar quando chegássemos a Huánuco, de modo a fotografar a aeronave.

Meu cartão de embarque para esse voo

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Painel de voos domésticos em Lima

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Fomos chamados para o embarque pontualmente, às 12h23. Como o Q400 é uma aeronave menor, o embarque é feito em uma posição remota. Assim, os passageiros foram acomodados em um ônibus e então levados à aeronave às 14h42. O voo sairia cheio, com todos os 76 assentos do Bombardier ocupados – e mais duas crianças de colo.

Voaríamos no N404AV, entregue originalmente à escandinava SAS em março de 2001. Após ser parado ao final de 2007, foi entregue à peruana Servicios Aéreos de los Andes em dezembro de 2013. Em novembro de 2015, a aeronave foi transferida à LC Perú. Os dados são do Airfleets.

O embarque em posição remota sempre propicia ótimas visões – e exatamente por isso eu fui um dos últimos a embarcar!

Pouco tempo após chegarmos o embarque foi encerrado. Às 12h55, exatamente no horário previsto, nosso pushback foi iniciado e os motores foram acionados, produzindo um som muito baixo. Não à toa, o “Q” do Q400, segundo a fabricante, vem da palavra “quiet” (quieto).

Infelizmente as janelas estavam bem sujas.

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Logo após o início do táxi, a aeronave parou e os dois comissários foram atender um passageiro que parecia estar passando mal. Assim que o problema foi solucionado, com o passageiro se sentindo melhor, prosseguimos viagem.

Alinhamos na pista do aeroporto Jorge Chávez às 13h18 e logo o comandante aplicou potência máxima nos dois motores Pratt & Whitney PW150A. A aeronave surpreende muito pelo silêncio e pela elevada potência. Fazendo uma comparação simplista com o ATR 72-600, o Q400 parece ser mais robusto e ter uma performance melhor.

Rapidamente ultrapassamos a baixa camada de neblina que cobre Lima durante o inverno.

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Em pouco tempo, os dois comissários iniciaram o serviço de bordo. Um voo tão curto exige bastante agilidade de ambos para atender 78 pessoas, o que inibe que haja um atendimento mais próximo por parte deles. Ainda assim, os dois foram cordiais na medida do possível.

Ao contrário do que era informado no seu site – a companhia anunciava serviço de snacks – o serviço era composto apenas por bebidas. Isso talvez se deva ao curto tempo de voo.

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Aproveitei o pouco tempo que tinha para fazer uma passagem pela cabine. De fato, o Q400 já dava sinais da idade, com o couro dos assentos bem surrado. A cabine também passava um aspecto de escuridão.

O banheiro, ao menos, estava limpo, apesar de apertado – um tamanho compatível com o de um turboélice regional.

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De volta ao assento. O espaço era bom para um avião de sua categoria, mas achei menos confortável que o do ATR, por exemplo.

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Na bandeja também havia um porta-copos. Outra ideia interessante, mas pelo jeito ele não via um pano há uns bons meses.

Fotos do painel superior – nada diferente para destacar, mas vale o registro.

Lá embaixo, as paisagens eram muito bonitas.

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Mas o voo panorâmico, como era de se esperar, durou pouco. Às 13h46, 28 minutos após a decolagem, o comandante iniciou a descida. Como o Q400 tem uma altitude de cruzeiro já restrita, além de Huánuco estar localizada em uma altitude bem alta, em poucos minutos já estávamos bem próximos às montanhas.

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Fizemos um pouso firme no solo de Huánuco às 13h58, três minutos após o horário previsto.

Às vezes, voando, tenho aqueles momentos em que me bate um arrependimento por não ter escolhido ser piloto. Foi uma das aproximações mais interessantes que já presenciei. A curta final consiste em uma curva acentuada muito próxima do solo. Parece algo muito complicado, mas imagino que para os pilotos seja algo corriqueiro. As imagens falam por si só. Confira:

É muito interessante, também, observar o trem de pouso operando no Q400. Poucas aeronaves comerciais têm um projeto semelhante a esse.

Às 14h03 a aeronave estacionou no acanhado pátio de Huánuco, com o embarque se seguindo rapidamente. Após, aproveitei o curto tempo em solo para fotografar a aeronave.

Os assentos em couro azul escuro são bonitos, mas intensificam a aparência de escuridão na cabine.

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Enquanto o embarque para o voo da volta era iniciado, aproveitei para fotografar o avião com o plano de fundo inacreditável do aeroporto.

O aeródromo está localizado no meio de muitas montanhas. Fenomenal! Novamente, as imagens conseguem falar mais do que minhas palavras.

E assim se encerrou a minha terceira experiência de voos domésticos no Peru. A LC Perú realizou uma operação muito interessante, com um serviço básico, mas logicamente adequado para uma companhia aérea regional.

BÔNUS: confira os vídeos do pouso e decolagem do voo de volta.

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1 resposta »

  1. O Q400 é o Cadillac dos turbo-hélices, mas o calcanhar de Aquiles do projeto é justamente o trem de pouso, a SAS devolveu todos após 2 acidentes muito sérios envolvendo falhas do trem de pouso, até hoje saem notícias nos sites especializados relatando essas ocorrências.
    Pena que a fábrica nem se preocupou em corrigir as falhas.
    Aliás, recentemente a Bombardier vendeu os direitos de todos os seus turbo-hélices, Q400 inclusive, para a Viking, agora só os jatos fazem parte do portfólio da empresa.

    Curtir

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