Aviação Civil

Primeiro voo do Boeing 777 completa 25 anos

Primeiro voo do wide-body mais popular da indústria completa 25 anos.

A indústria aeronáutica é um dos principais termômetros econômicos, toda conjuntura impacta diretamente o setor aéreo. Desenvolver um jato comercial requer uma análise criteriosa, das pranchetas ao primeiro voo, leva-se em média quatro anos para que uma nova aeronave entre em serviço.

Neste intervalo de tempo o produto proposto pode ser considerado ótimo, mas frente a mudanças econômicas, pode se tornar um fracasso de vendas. Os jatos de corredor único Airbus A320 e Boeing 737, workhorses da Airbus e Boeing, respectivamente, são os maiores sucessos comerciais da indústria. Mas qual seria o grande produto entre os aviões de fuselagem larga?

777

Vinte e cinco anos depois do primeiro voo, o Boeing 777 é o modelo de maior sucesso no segmento. Com mais de 2.000 encomendas, 1.500 deles já entregues, chamado de a ‘sétima maravilha da Boeing’ é o wide-body mais popular da história. Revolucionário, o 777 foi concebido de forma minuciosa pela fabricante norte-americana, desde fundamentos de desenho, projeto e engenharia ao alinhamento comercial.

No ano de 1988, a Boeing reagindo a análises feitas no mercado começou a desenvolver seu novo produto, que seria denominado Boeing 777, nascia um dos grandes produtos da indústria aeronáutica. No ano seguinte, a empresa já oferecia seu novo produto para as companhias aéreas.

777

A Dick Clark Productions, criou um conceito chamado Working Together, companhias aéreas foram consultadas para o desenvolvimento da aeronave, All Nippon Airways, American Airlines, British Airways, Cathay Pacific Airways, Delta Air Lines, Japan Airlines, Transbrasil e United Airlines. Os primeiros encontros ocorreram durante o ano de 1990.

Modificações no projeto foram feitas após reuniões em Everett, com mais de 200 equipes de companhias aéreas. Cerca de 1.500 questões no desenho do 777 contaram com contribuições diretas dos clientes.

777 Cockpit

Cockpit do 777, primeira aeronave da Boeing a contar com comandos Fly-by-wire.

Todo o desenho do Boeing 777 foi feito por computador, pela primeira vez na indústria, atendendo cada sugestão das companhias aéreas. Utilizando computação gráfica 3D, a Boeing conseguiu pré-montar digitalmente o 777, dispensando modelos caros e demorados. O 777 foi a primeira aeronave da Boeing a contar com o sistema Fly-by-wire.

Em 1990, A United Airlines fez um pedido para 34 Boeing 777 equipados com motores Pratt & Whitney, tornando-se o cliente de lançamento (launch customer) do mais novo jato de fuselagem larga.

777

A Boeing deu início a montagem do primeiro Boeing 777 em 4 de janeiro de 1994, meses depois o primeiro exemplar já se movia com seus trens de pouso. Devido a problemas nos testes dos motores Pratt & Whitney PW4084, a programação inicial do projeto sofreu atraso de duas semanas.

Em 9 de abril de 1994, o Boeing 777-200, matrícula N7771 (MSN 27116/WA001) fazia sua primeira aparição ao público. Durante o evento mais de 100.000 pessoas divididas em grupos de 6.500 pessoas celebraram a apresentação do mais moderno avião construído pela Boeing.

777

O primeiro voo do Boeing 777 aconteceu em 12 de junho de 1994, com John E. Cashman, nos comandos e o co-piloto Kenneth Higgins, ambos pilotos de longa data da Boeing, o voo em questão durou 3 horas e 48 minutos. Foram 11 meses do primeiro voo ao último teste para obter a certificação da aeronave, no dia 19 de abril de 1995. Nove aeronaves foram usadas no programa, utilizando os três motores selecionáveis para o 777, o General Electric GE90, Rolls Royce Trent 800 e Pratt & Whitney PW4000.

A primeira entrega do Boeing 777-200 foi realizada à United Airlines, cliente de lançamento, em 15 de maio de 1995, em cerimônia realizada na fábrica de Everett. Após  receber a certificação ETOPS-180 da FAA, o 777 da United entrou em serviço no dia 7 de junho de 1995 na rota Londres (LHR) – Washington (IAD).

777

Um ano depois, em 1996, a Boeing lançou uma versão com maior alcance, chamado inicialmente 777-200IGW (increased gross-weigh), seria renomeado 777-200ER, oferencendo maior potência e proporcionando a abertura de novas rotas com maior eficiência em consumo. A British Airways foi a companhia que estreou o 777-200ER, em 09 de fevereiro de 1997.

Dois anos depois a fabricante norte-americana lançaria o 777-300, com pouco mais de 73 metros de comprimento, era oferecido como substituto aos clássicos 747-100/-200/-300. As vendas da versão -300 não decolaram, mas a Boeing trabalhava nas melhorias de alcance, aumentado o peso máximo de decolagem.

777

Com mudanças nas asas e novos motores, a Boeing alcançou em 2002 o ponto ideal do programa 777. Nascia então a mais popular versão do ‘Triplo Sete’, o 777-300ER ( Extended Range).

O 777-300ER foi apresentando no dia 14 de novembro de 2002, seu primeiro voo ocorreu no dia 24 de fevereiro de 2003, sendo entregue à Air France em abril de 2004. Com mais de 800 unidades vendidas o -300ER é o best seller da família.

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Uma versão de longo alcance foi lançada em fevereiro de 2005, o 777-200LR com alcance de 8.555 NM (15.844 km). A Pakistan International Airlines foi a cliente de lançamento do -200LR, recebendo a primeira unidade em 26 de feveeiro de 2006. Junto com a versão -300 o -200LR foi o modelo com menos êxito comercial, apenas 60 aeronaves foram vendidas.

Com o desempenho do -200LR a base do jato para passageiros foi usada para a criação do 777F, com capacidade para 102.000 kg de carga paga (payload) e alcance de 4.970 milhas náuticas ou 9.200 km. A primeira aeronave cargueira foi entregue à Air France em fevereiro de 2019.

Maiores operadores por versão:

  • Boeing 777-200 – United Airlines – 19
  • Boeing 777-200ER – United Airlines – 55
  • Boeing 777-200LR – Delta/Emirates – 10
  • Boeing 777-200F – Fedex – 38
  • Boeing 777-300 – Cathay Pacific – 15
  • Boeing 777-300ER – Emirates – 134

Curiosidade sobre o maior cliente do 777

A Emirates foi a única a operar todas as seis variantes do ‘Triple Seven’. Uma de cada oito aeronaves 777 já produzidas pela Boeing foi entregue à Emirates, uma de cada cinco aeronaves Boeing 777-300ER produzidas até hoje, foi operada pela Emirates. A idade média de um Boeing 777-3000ER na frota da Emirates é de 6,5 anos.

A companhia aérea recebeu o primeiro Boeing 777-300ER em março de 2005, o 777-300ER se tornou a espinha dorsal da frota da Emirates. A empresa com sede em Dubai recebeu ao todo 190 aeronaves Boeing 777, sendo 146 da versão -300ER.

Boeing 777-300ER Emirates São Paulo GRU Guarulhos

O FUTURO

Exatos 25 anos depois do primeiro voo, a célula base do 777 ganhou novos motores, asas e aviônicos, o 777-9 deve realizar em breve seu voo inédito. O segundo avião mais vendido da história da Boeing, atrás apenas do 737, se prepara para mais 25 anos.

A família 777X composta por dois modelos, 777-8 e 777-9, acumula mais de 300 encomendas. O 777-9 com 77 metros de comprimento é a aeronave comercial mais longa produzida pela fabricante norte-americana.

777

O 777X levou a Boeing a introduzir um novo sistema de produção. “Com o 777X, o sistema de produção foi integrado ao programa de desenvolvimento mais cedo do que qualquer outro avião, e a equipe está fazendo um ótimo trabalho ao atingir nossas metas como esperado”, disse Josh Binder, vice-presidente e gerente geral do 777X.

Com a extensão de um conjunto de pontas das asas dobráveis ​​e inclinadas, a envergadura do avião mede 235 pés (72 metros). Adicionando wingtips dobráveis, a envergadura do 777X foi aumentada para aumentar a eficiência aerodinâmica da asa, reduzindo o empuxo do motor e o uso de combustível.

777

Além disso, as wingtips dobráveis ​​permitem que o 777X mantenha a compatibilidade do aeroporto com a família 777 existente, agregando valor para os clientes.

O primeiro 777X introduzido será o modelo 777-9, que pode acomodar de 400 a 425 passageiros em uma configuração padrão e oferecer um alcance de 7.600 milhas náuticas (14.075 km).

BOEING 777 NO BRASIL

LATAM

A maior companhia aérea em número de passageiros transportados e Flag Carrier do país opera atualmente com 10 Boeing 777-300ER. Em 2006, a TAM encomendou quatro 777-300ER e opções para mais quatro unidades do modelo. O valor do negócio com preços de tabela foi de US$ 1 bilhão.

Em franca expansão internacional, o contrato incluía o leasing de três MD-11, que operaram até a chegada dos 777.

LATAM TAM 777-300

PT-MUA o primeiro 777-300ER recebido pela TAM, hoje LATAM.

Entregue à brasileira em agosto de 2008, a TAM se tornou a primeira companhia aérea da América Latina a operar com a maior e mais popular versão do 777. Comprada pela LAN em 2010, a companhia resultante da fusão, a LATAM, manteve o bimotor na frota.

Os 10 Boeing 777-300ER da LATAM são utilizados em rotas para os Estados Unidos e Europa a partir do principal hub da companhia em São Paulo (GRU). Os principais destinos atendidos pelo “Triplo Sete” são: Londres, Frankfurt, Madrid e Miami.

LATAM 777-300ER

PT-MUI o primeiro 777-300ER a receber o esquema visual LATAM.

VARIG 

A Varig assim como fez com a incorporação do 737NG foi a pioneira também na América Latina com o Boeing 777. Em 8 de setembro de 1997, a Riograndese assinou a encomenda para cinco Boeing 777-200ER, além dos novos 737.

O primeiro exemplar, o PP-VRA, ‘Otto Meyer’ foi entregue à Varig direto da fábrica no dia 3 de novembro de 2001. O -VRA juntamente com o -VRB ‘Ruben Berta’ eram as aeronaves que representavam a então maior companhia aérea do Brasil. O 777-200ER estreou comercialmente na rota Rio de Janeiro (GIG) – Copenhagen (CPH), com escalas em São Paulo (GRU) e Londres (LHR).

777 Varig

Três anos depois da chegada dos dois primeiros 777, em meio a crise financeira que assolava a empresa, a Varig conseguiu arrendar durante o ano de 2004 mais quatro aeronaves do modelo, desta vez usadas.

Em fevereiro, chegaram o PP-VRC e o PP-VRD, arrendados pela Boeing Capital, ambos eram da versão -200, sem o mesmo alcance do -200ER, que comprometia a utilização em rotas de longa distância. Em novembro do mesmo ano, mais duas aeronaves 777 foram incorporadas, o PP-VRE e PP-VRF, esses de alcance estendido (ER) e operados anteriormente pela United Airlines. A frota de 777 na Varig chegava a seis unidades no fim de 2004.

No ano seguinte, em 2005 chegavam ao país os dois últimos 777-200 arrendados pela empresa. O PP-VRI chegou em fevereiro e o PP-VRJ dois meses depois, em abril. Ao todo a Varig operou com oito 777, uma nona aeronave estava prevista, em grave crise financeira a empresa não conseguia honrar os compromissos com o leasing.

TRANSBRASIL

Apesar de não operar com o 777, a Transbrasil deve ser citada, a companhia foi uma das clientes ouvidas pela Boeing durante o desenvolvimento do maior bimotor da indústria. Na apresentação do jato em Seattle, a aérea que tinha encomenda para três 777-200 estava presente.

A entrega estava programada para junho de 1996, a segunda seria em setembro do mesmo ano e o último exemplar seria recebido em 1997.

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Acumulando prejuízos de US$ 40 milhões a Transbrasil cancelou o pedido em 1995. Interessada em expandir sua malha internacional a companhia cogitou encomendar a versão -200ER. Infelizmente problemas econômicos, burocráticos e políticos inviabilizaram a concretização do 777-200ER na companhia do arco-íris.

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