Aviação Civil

Briga pelos slots da Avianca gera cisão entre as companhias aéreas

Disputa pelos slots que possibilitariam a entrada da Azul na Ponte Aérea gerou enorme controvérsia entre as companhias aéreas nacionais.

A crise e subsequente paralisação das atividades da Avianca Brasil gerou enorme turbulência no cenário aéreo nacional. Se por um lado uma oferta menor de assentos resulta em melhores resultados financeiros para as congêneres, por outro se iniciou uma lamentável troca de farpas entre elas próprias; de um lado a Azul, de outro LATAM e Gol. O motivo é a disputa pelos slots da Avianca em Congonhas e no Santos Dumont.

CGH LATAM Gol Avianca Azul

Compreendendo a disputa

A briga teve início após o pedido de recuperação judicial da Avianca, quando a Azul anunciou que havia feito uma proposta de compra dos ativos da companhia no início de março. Desde então, a proposta já incluía os slots de Congonhas e Santos Dumont, centro do imbróglio. A oferta era orçada em USD105 milhões.

Algumas semanas depois, em parceria com o fundo Elliott, detentor da maior parte da dívida da Avianca, Gol e LATAM apresentaram contraproposta. Esta dividia os ativos da companhia em dificuldades em sete fatias a serem leiloadas individualmente e a um preço mínimo consideravelmente superior, praticamente minando as intenções iniciais da Azul. Tal plano foi aprovado em assembleia de credores.

Os desentendimentos

Não demorou muito para que John Rodgerson, CEO da Azul, viesse a público criticar abertamente a resposta de Gol e LATAM. Em entrevista ao Estadão, Rodgerson foi incisivo nas palavras, ao afirmar que as duas estavam deliberadamente quebrando a Avianca para impedir a sua companhia de operar na Ponte Aérea.

A partir daí, todas subiram o tom abertamente. No dia 1º de maio, a Azul anunciou a sua saída da ABEAR, Associação Brasileira das Empresas Aéreas, alegando querer representar os seus interesses de maneira direta.

No dia 7 seguinte o leilão das unidades da Avianca foi embargado por meio de uma liminar. Na semana seguinte, a Azul protocolou um novo pedido de compra dos slots, aumentando o valor de compra para USD145 milhões. Tal proposta foi rejeitada no fim de maio.

Um dia após a rejeição da oferta, a Azul iniciou uma campanha em suas redes sociais fazendo pressão para que pudesse ingressar na Ponte Aérea, conclamando funcionários e clientes para que se juntassem à solicitação.

Ainda, mais uma vez Rodgerson veio à mídia, em entrevista à Folha, acusar suas rivais de deixarem a Avianca quebrar para atrapalhar os interesses da Azul em ingressar na Ponte Aérea. Após o início de tal campanha e após essa entrevista, os CEOs da Gol e LATAM vieram a público rechaçar as atitudes da Azul. Paulo Kakinoff, chefe da Gol, disse à Folha:

Esse tipo de recurso cria uma realidade fantástica com o claro objetivo de manipular a opinião pública e os órgãos reguladores. É uma prática empresarial antiga e que já deveria ter sido abolida. A Azul demonstra pretender obter os slots da Avianca por um caminho alternativo que desconsidera o processo de recuperação judicial legítimo e a regulamentação vigente. Plano que, acredito, não terá êxito, pois os órgãos reguladores do Brasil são sérios, técnicos e independentes.

Jerome Cadier, CEO da LATAM Brasil, foi igualmente incisivo em entrevista ao Estadão.

Todo o discurso dele está baseado em mentiras. Ele leva o setor todo ao descrédito. Fica parecendo que é um setor que não é sério, que não tem regras.

Os dois executivos afirmaram, ainda, que a Azul já detém slots suficientes em Congonhas para uma operação razoável na Ponte Aérea, e que se não o fazem, não é por uma razão de slots. Rodgerson rebate dizendo que os horários que já detêm em Congonhas são importantes para a alimentação de seus voos em Confins, Curitiba e Porto Alegre.

Como serão os próximos passos?

Hoje, em decisão do TJ de São Paulo, os desembargadores derrubaram a liminar que impedia o leilão das sete unidades da Avianca; agora estas serão leiloadas, com LATAM e Gol tendo se comprometido a dar ao menos um lance, cada uma. A Azul também poderá participar do certame, podendo dar lances em cada uma das unidades.

Segundo matéria do G1 há, contudo, outros petições que pedem a paralisação dessa venda, portanto o leilão não estaria 100% confirmado, estando pendentes outras decisões judiciais.

Seja de que maneira esse processo for terminado, por fim, um dos maiores legados da crise da Avianca Brasil será essa separação entre as três grandes companhias aéreas remanescentes no país. Uma polêmica muito incomum no ramo dos negócios e negativa do ponto de vista da coesão entre os atores da indústria.

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