Aviação Civil

A evolução da Família de E-Jets

Embarque conosco e conheça algumas das principais mudanças entre as Famílias Embraer E-jet E1 e E-jet E2.

Texto e fotos por Marcos Junglas.

Durante o Paris Air Show de 1999, a Embraer apresentava seu novo produto de mercado, a Família de E-Jets. Tratava-se de uma família de jatos bimotores com características próprias para atender a aviação regional, com capacidade entre 70 e 120 passageiros. O sucesso dos primeiros E170 e E190 fez com que a fabricante rapidamente coloca-se no mercado a maior versão da família, o Embraer E195 (E190-200). Em 2006, o primeiro E195 foi entregue e, em 2008, a Azul Linhas Aéreas recebia sua primeira aeronave Embraer E195. Sendo a maior operadora do modelo, a Azul chegou a operar 65 aeronaves, tendo hoje 51 aeronaves do modelo E195 em operação.

Azul E195

Nenhum avião é mais brasileiro que o “bandeirinha” como é conhecido. Avião brasileiro, utilizado por uma companhia aérea brasileira carregando a bandeira do Brasil.

Em junho de 2013, a Embraer anunciou o desenvolvimento da nova geração da família de jatos comerciais, os E-Jets E2. O primeiro Embraer E195-E2 (ERJ 190-400) do mundo foi recebido pela Azul no último dia 12 de setembro, devendo entrar na malha doméstica em meados de outubro. Com um pedido inicial de 51 aeronaves, a Azul pretende ao longo dos próximos anos renovar a frota, aposentando assim os E195 de primeira geração. O Ponte Aérea teve acesso à nova aeronave da companhia e a partir de agora enumera as principais mudanças visualizadas. As melhorias do Embraer E2 em relação ao E1 em muitos pontos são claramente perceptíveis e, de forma simples e objetiva, ao término desta matéria, você leitor será capaz de identificar os modelos. Para fins de comparação, o padrão utilizado baseia-se nas aeronaves modelo E195 e E195-E2 da Azul Linhas Aéreas. As primeiras fotos referem-se ao Embraer E1 e as segundas fotos, ao E2 em modo de comparação.

A começar pelas dimensões, devido a sua nova motorização, o E2 tornou-se mais alto chegando aos 10,90 metros de altura enquanto o E1 possui 10,55 metros de altura. No tocante ao comprimento, o E2 possui 41,5 metros, já o E1 tem 38,65 metros. Esse “ganho de tamanho” fez com que a capacidade da aeronave fosse dos 120 passageiros para até 146 passageiros.

Um dos pontos de maior mudança entre as aeronaves foi a asa que, devido ao seu novo perfil, com a exclusão do winglet e a adoção do padrão Raked (Swept) Wingtip, fez com que a envergadura da aeronave E2 chegasse aos 33,72 metros sendo a do E1 de 28,72 metros. O novo perfil de asa gerou uma redução significativa no consumo de combustível da aeronave.

O aumento da capacidade de passageiros trouxe a necessidade da implementação de mais uma janela de emergência sobre as asas, sendo assim as saídas de emergência em número de seis no E1, passam para oito no E2.

Em relação à parte estrutural, o E2 com relação ao E1 sofreu alterações apenas na seção central da fuselagem e na seção do tail cone. Devido ao novo conjunto de trem de pouso, inserção da segunda janela de emergência e introdução do tanque central, a secção central teve de ser alterada e reforçada para suportar os novos esforços. Já o tail cone, foi modificado para receber o novo APU da aeronave. O E2 apresenta ainda um novo padrão de porta de acesso ao APU, o que traz um ganho quando da necessidade de manutenção no componente em questão.

O sistema de trem de pouso do E2 com relação ao E1 sofreu grandes mudanças com a incorporação de portas, “separação” do amortecedor e mecanismos mais robustos, o que reduzirá as incidências de hard landing e o tempo de manutenção. A presença das portas gera a redução de arrasto e como consequência menor consumo de combustível. O APU passou do APS2300 (Embraer E1) para o APS2600 (Embraer E2), este com maior capacidade elétrica produzindo cerca de 60kVa e com capacidade de ser acionado até o teto máximo da aeronave (41.000ft).

O principal ponto de mudança entre o E1 e o E2 é o seu novo motor PW1900G, com uma razão de bypass de 12:1 gerando assim uma redução de consumo de combustível e uma redução de ruídos externos e internos. Os motores GE CF34-10E que equipam os E1 produzem aproximadamente 20.000 libras de empuxo enquanto o PW1900G produz cerca de 23.000 libras. Graças a todas as melhorias citadas acimas, quando comparado ao E195 de primeira geração, o E195-E2 apresenta uma redução de 25,4% no consumo de combustível por assento.

As luzes externas e internas da aeronave (taxi, navegação, inspeção, red beacon, luz de leitura e de teto), bem como as luzes do cockpit do E2 são todas de LED enquanto no E1 temos as tradicionais lâmpadas incandescentes. O sistema de PACK’s (Pressurization and Air Conditioning Kit) do E2 com relação ao E1 tornou-se maior e com uma eficiência maior, requerida pelo aumento do tamanho interno da aeronave.

O controle de temperatura da cabine de passageiros agora pode ser feito a partir de um painel FAP (Flight Attendant Panel) onde as comissárias ainda conseguem visualizar outras informações de diversos sistemas, como por exemplo o nível de água potável da aeronave, nível do tanque de dejetos, posição do passageiro que acionou a chamada de comissária. A Galley dianteira da aeronave recebeu um pequeno forno o qual trará um conforto a mais para tripulantes no sentido de poder ter refeições quentes. As cortinas e mesinhas de passageiros ganharam um desenho mais moderno.

No tangente aos controles de voo, o aileron do E1 tem seu comando através de roldanas e cabos enquanto que o E2 é totalmente full fly-by-wire, trazendo redução estimada em 1,5% no consumo de combustível. Em se tratando de sistema de combustível, o E2 incorporou um terceiro tanque, o tanque central com capacidade de 9.310 kg de combustível. Os tanques de asa juntos recebem 4.380kg, sendo a capacidade máxima da aeronave de 13.690kg. A adição do tanque central ao Embraer E2 levou a necessidade de implementação de um novo sistema na aeronave, o sistema Fuel Tank Inerting System, sistema esse não presente no E1, o qual provê redução da concentração de oxigênio nos tanques eliminando um dos elementos principais causadores do fogo.

Ao entrar no cockpit do E2, nos deparamos com quatro LCD Display’s de 13” x 10” no lugar das cinco unidades Display existentes no E1. Essa alteração trouxe um ganho de 45% no campo visual de dados do voo (display area). Por trás dos novos display”s existe ainda a introdução de novos carregamentos (loading) de dados e gerenciamento mais apurado de todas as informações do voo. A interface entre tripulantes e controles ligados ao overhead, painel principal e painel de rádios pouco mudou. O HUD (opcional do operador) presente no E1 foi atualizado no E2, e o padrão Sinthetic Vision (opcional do operador) entra no E2, sistema esse capaz de definir e projetar nos Displays todo perfil do terreno em aspecto 3D inclusive no display de perfil de subida e descida.

No intuito de reduzir peso e ganhar espaço, o interior do Embraer E2 foi totalmente redesenhado tendo como principais mudanças a introdução de novos assentos, bins com maior capacidade de carga, nova iluminação interna, etc. As portas da aeronave receberam modificações com relação ao acabamento visando uma melhor visualização por parte das comissárias para com a condição da escorregadeira de emergência (scape slide). Os tanques de água que no E1 são metálicos, no E2 tornaram-se de material composto e fibra de carbono reduzindo assim o peso dos componentes ligados ao sistema de água potável e dejetos da aeronave.

Muitas outras mudanças por trás dos painéis e acessos foram realizadas, contudo o que podemos visualizar demonstra que a Embraer foi capaz de absorver todas as análises dos operadores do Embraer E1 e, incorporar melhorias em todos os sistemas e aspectos no E2. Uma nova aeronave surgiu e, junto com ela a capacidade de nossa indústria aeronáutica em desenvolver produtos cada vez melhores.

Embraer E195-E2 Azul

O primeiro Embraer E195-E2 da Azul.

Nossos agredecimentos à Assessoria de Imprensa da Azul e Comunicação da EMBRAER pela revisão e colaboração desta matéria.

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