Aviação Civil

Flight Report: Buenos Aires a Mendoza com a Norwegian Argentina

O Ponte Aérea voou entre Buenos Aires e Mendoza pela Norwegian Argentina. Voe com a gente e confira o nosso relato.

Texto por João Machado. Fotos por João Machado e Lucas Ulhôa.

Saímos do hotel ainda antes do amanhecer; uma chuva forte e constante caía sobre Buenos Aires. Nada que parecesse impedir as operações no aeroporto. Contudo, durante o transfer para o aeroporto, vi notícias de que a tormenta tinha afetado as operações em Buenos Aires, com diversos voos alternados.

Check-in e embarque

Seja como for, chegamos ao Aeroparque com uma certa antecedência, pois ainda precisávamos despachar bagagem. Era horário de pico e o terminal estava bem movimentado.

(clique nas fotos para ampliá-las!)

Mesmo assim, chegando à area de check-in da Norwegian Air Argentina rapidamente fomos atendidos, pois a fila era pequena. Quando viu que éramos brasileiros, a funcionária tentou arriscar um português conosco. Muito querida. Aproveitamos para trocar nossos assentos no voo da volta por assentos de janela.

Já que faríamos apenas um bate-volta e pretendíamos ficar na aeronave para fotografar o seu interior após a chegada, a funcionária permitiu que levássemos nossa bagagens no compartimento superior. Ela imprimiu nossos cartões de embarque — do voo da ida apenas — e nos dirigimos à sala de embarque, pois estava quase na hora do nosso voo.

Quando chegamos ao portão indicado, nos deparamos com um voo da Aerolíneas a Ushuaia prestes a ter o embarque iniciado — nada do nosso. Isso levantou uma certa preocupação, pois o horário previsto se aproximava.

O tempo no Aeroparque não era nada bom.

Pelo que pareceu, os problemas meteorológicos seguiam causando problemas na pontualidade de todos os voos em Buenos Aires, mesmo que a nossa aeronave tivesse pernoitado no aeroporto. Voos que demoram para liberar um portão acabam atrasando os voos seguintes, em uma espécie de reação em cadeia.

DN6062 – AEP-MDZ

Enfim: o voo da congênere foi embarcado e às 06h57 — quatro minutos antes do horário previsto de saída — o embarque do Norwegian 6062 para Mendoza foi finalmente iniciado. A aeronave estava em uma posição remota, então precisaríamos nos deslocar de ônibus.

Antes de embarcar, os passageiros podiam levar o jornal do dia.

Quando chegamos ao ônibus, ficamos sabendo que o “alerta rojo” (alerta vermelho) do aeroporto havia sido acionado. Ou seja, todas as operações de solo foram paralisadas sem previsão de retomada devido à atividade elétrica próxima ao Aeroparque.

Após quase 20 minutos de espera, o aeroporto foi reaberto e o nosso ônibus saiu para a aeronave às 07h19 — o horário previsto de saída era 07h01.

Voaríamos no 737-800 LV-IQZ, entregue à Norwegian europeia em abril de 2017, novo de fábrica, e repassado à filial argentina em novembro do ano passado, de acordo com dados do Airfleets.

A Norwegian é conhecida por homenagear figuras influentes e históricas na cauda de suas aeronaves. O IQZ homenageia o neurocientista espanhol Santiago Ramón y Cajal.

Quando saímos do ônibus para entrar na aeronave, uma ventania forte se abateu sobre nós. Péssimo sinal.

O primeiro ônibus já havia chegado à aeronave, mas o tempo passava e nada dos outros. O motivo: alerta vermelho novamente. Precisaríamos esperar por mais um tempo indefinido.

Infelizmente é algo que foge do controle da companhia aérea, mas a tripulação em momento algum se mostrou descontente. Pelo contrário; era uma das tripulações mais queridas que eu já tinha visto. Todos sorridentes, tentando, na medida do possível, amenizar o desconforto.

Durante o tempo que passamos na cabine, pudemos fazer uma visita à cabine e passar um bom tempo conversando com o comandante, que saiu da Copa Airlines para poder ficar mais próximo de sua família na Argentina.

O clima em Buenos Aires era realmente tenebroso. Durante o alerta vermelho, nenhuma operação podia ser realizada, e evidentemente isso tem efeitos sob todo o sistema por horas após a reabertura das operações.

O segundo ônibus chegou apenas às 08h48, quando já deveríamos estar chegando em Mendoza. Ainda assim, ficamos mais algum tempo retidos no solo do Aeroparque após mais uma paralisação. Já havia passado das 09h30 quando foi iniciado o nosso pushback.

Próximo a nós, um MD-83 da então cambaleante Andes Líneas Aéreas, que essa semana paralisou provisoriamente suas operações. O plano do Lucas era fazer um bate-volta a Bariloche com eles, mas infelizmente o voo foi cancelado dias antes da nossa viagem a Buenos Aires.

Às 09h47, o IQZ finalmente alinhou na cabeceira 13 do Aeroparque Jorge Newbery, decolando para Mendoza. A saída da cidade foi relativamente turbulenta.

Rapidamente foram superadas as camadas que cobriam a capital argentina; o clima em rota era ótimo e a altitude de cruzeiro era de 36 mil pés.

A configuração do LV-IQZ era a configuração típica dos 737-800 utilizados por low-costs ao redor do mundo; a de alta densidade, com 189 assentos. Seja como for, não sou alto, então não me senti desconfortável. Tanto que logo após a decolagem apaguei — só acordei já durante o cruzeiro, após o serviço de bordo.

Os assentos são de couro e há um certo reclínio. Evidentemente o modelo de negócios da companhia é low-cost, então é exatamente isso que se espera. Para ler, nada havia além do safety card e de um encarte promocional do Norwegian Rewards, programa de pontos da companhia.

Fiquei, entretanto, positivamente muito surpreso com um diferencial da Norwegian em termos de entretenimento; a companhia oferece wi-fi gratuito em toda a sua frota. Para uma low-cost isso é realmente muito acima da média. Eu e o Lucas testamos o sistema e conseguimos enviar mensagens pelo Whatsapp. Nada muito mais que isso, contudo, já que o voo estava bem cheio e possivelmente muitos estavam usando a mesma rede.

Seja como for, é um ponto bem surpreendente. Se a velocidade fosse maior — mesmo que por uma cobrança adicional –, penso que seria perfeito.

Quanto ao serviço de bordo, creio que pende minha única insatisfação em relação ao produto da Norwegian Argentina. Provisoriamente, há ainda algumas etapas burocráticas a serem superadas para o início do serviço de vendas a bordo, e por isso nada além de água nos foi servido.

Evidentemente é uma low-cost e, sem o buy-on-board, esse é exatamente o esperado. Portanto, creio que o serviço ficará irreparável quando as vendas a bordo forem finalmente liberadas.

Novamente, destaque para a tripulação, que mesmo com a enorme inconveniência causada pelo atraso meteorológico, em nenhum momento perdeu o bom humor e a vontade de amenizar o desconforto dos clientes. Isso fez toda a diferença.

Às 11h07 foi iniciada a descida para Mendoza. O clima na cidade argentina era bom, para nosso alívio. Foi executado um pouso bem suave na pista 18 do aeroporto El Plumerillo às 11h27, 2 horas e 33 minutos após o horário original.

Entre o desembarque e o embarque para o voo da volta, conseguimos fotografar melhor a cabine do 737-800, esteticamente agradável e ainda cheirando a nova. A cabine, vale dizer, estava impecavelmente limpa tanto na ida quanto na volta.

Aproveitamos, ainda, para fotografar o exterior da aeronave, após obtermos permissão do pessoal de solo.

DN6063 – MDZ-AEP

O voo da volta foi praticamente igual ao da ida, inclusive com a mesma tripulação. Houve mais complicações meteorológicas em Buenos Aires, com a retenção do embarque em Mendoza por alguns minutos, o que impediu que recuperássemos parte do atraso. Pelo contrário; o atraso foi piorado.

A decolagem do Plumerillo ocorreu apenas às 12h51, com 3 horas e 21 minutos de atraso — contra as 2h31 de atraso da chegada. Durante o voo recuperou-se parte desse tempo, e o pouso ocorreu com 3 horas e 8 minutos de atraso, às 14h18.

Pior: após a chegada ao Aeroparque, passamos uma hora esperando por uma posição de estacionamento, já que todas estavam ocupadas. Nada, reitero, que fosse culpa da tripulação. Nesse tempo em solo — onde os passageiros são obrigados a permanecer sentados com os cintos afivelados — alguns clientes precisaram ir ao banheiro. Em comunicação com a cabine de comando, para evitar acidentes, os comissários foram liberando-os para ir um a um. Além de muita simpatia, mostraram muito profissionalismo.

Após o desembarque precisávamos correr para o portão de embarque, pois estávamos prestes a perder o voo seguinte… mas isso fica para o próximo flight report.

Conclusão

Gostamos bastante da proposta da Norwegian Argentina. O wi-fi gratuito é um ponto bem positivo. Nossa única crítica fica quanto à falta do serviço de vendas a bordo, mas é algo pelo qual a empresa está trabalhando. Quando o buy-on-board for habilitado, aí sim a Norwegian terá um produto low-cost plenamente competitivo. No mais, estão de parabéns.

É uma pena que todos esses problemas meteorológicos tenham permeado a experiência, mas é algo ao qual estamos sujeitos no ramo da aviação, como bem sabemos; é totalmente alheio à vontade da companhia.

Na verdade, acreditamos que aí se sobressaiu o trabalho fantástico da tripulação. Sabemos que estamos sendo bem repetitivos aqui, mas seria uma injustiça deixar de destacá-los. Foram solícitos e muito alegres durante todo o voo, em uma situação desconfortável até para eles próprios. Fizeram todo o possível para amenizar o desconforto de todos.

E isso faz toda a diferença para a percepção do passageiro no fim das contas. De nada adianta ter o serviço mais caro e elaborado do mundo, mas ser mal tratado a bordo. Um tratamento humano, como o que experimentamos com a Norwegian, é inesquecível!

E é disso que vamos lembrar da experiência Norwegian Air Argentina. Com profissionais como esses, a companhia tem tudo para decolar e crescer muito nos próximos anos.

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